08/07/2017 - Setor de construção civil tem 1ª retração do ano em Minas

Pela primeira vez neste ano, o nível de atividade da construção em Minas teve retração no comparativo mensal. Segundo a Sondagem da Indústria da Construção, houve redução de 8,4 pontos em maio com relação a abril. O índice vinha numa crescente, tendo ficado em 35,7 em janeiro; 37,6 em fevereiro; 44,8 em março e 47,7 em abril. Em maio, o indicador caiu para 39,3 pontos. Apesar do recuo, no acumulado do ano, a atividade registrou aumento de 6,1 pontos frente a igual período de 2016. Em relação a maio do ano passado, houve acréscimo de 2,3 pontos. O levantamento foi divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “O setor vinha mostrando uma recuperação gradual, apesar de não atingir índices positivos. Estamos caminhando para isso, mas a instabilidade política pode atrasar um pouco mais a recuperação da atividade do setor”, pondera a economista da Fiemg, Annelise Fonseca. Segundo ela, a queda do nível de atividade de um mês para outro pode ter ocorrido devido ao efeito calendário, já que em maio houve menos dias úteis que em abril. Segundo ela, esse indicador não sofreu o impacto da crise política em decorrência das delações do empresário Joesley Batista, da JBS, envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB). “Acredito que os projetos que já estavam em andamento não foram interrompidos”, ponderou a economista. O economista e coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, disse que, apesar da piora registrada em maio com relação ao mês anterior, fatores macroeconômicos, como queda da inflação e dos juros, favorecem o setor. “Se analisarmos no contexto macroeconômico, as coisas melhoraram muito em relação a 2016 e 2015”, diz. “Pode ter ocorrido uma queda pontual. Mas precisamos manter o monitoramento”, completou. Ele ressalta ainda que o setor vem se beneficiando da queda de estoques de unidades e aumento nas vendas. Segundo a Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais, o nível de atividade das empresas ficou abaixo do usual para o mês, com índice de 29,5 pontos. Mas de acordo com a Fiemg, o resultado foi o melhor para o mês de maio nos últimos três anos. O índice da evolução do emprego caiu 9,2 em maio (39,5) no comparativo com abril (48,7 pontos). O indicador teve aumento de 3,7 pontos na comparação com maio de 2016 e, no acumulado, foi registrada elevação de 7,9 pontos. Expectativas - Os índices que medem as expectativas para os próximos seis meses apresentaram, em sua maioria, queda em junho no comparativo com maio. Nesse caso, segundo Annelise, pode ter havido interferência da crise política. Ainda assim, segundo o levantamento, “todos os índices apresentaram incremento em relação a igual mês do ano passado e acumularam elevação na primeira metade de 2017, apontando empresários da construção menos pessimistas neste ano.” Segundo a sondagem, as expectativas para os próximos seis meses ficaram em 47,1 em junho, enquanto em maio foi de 47,4. No comparativo com junho de 2016, o indicador aumentou 8,1 pontos e, no primeiro semestre de 2017, teve crescimento de 6 pontos. O índice de expectativas de compras de insumos e matérias-primas ficou em 44,7 em junho. Em maio, foi de 46,5 pontos. Com relação ao emprego, o índice de expectativa foi de 44,4 pontos em junho, recuo de 4,1 em relação a maio. As perspectivas de novos empreendimentos e serviços nos próximos meses ficaram em 45,8 em junho, com queda em relação a maio, cujo índice foi de 49,5 pontos. Já a intenção de investimento registrou um pequeno aumento de 1,3, passando de 28,2 em maio para 29,5 pontos em junho. O indicador, segundo o estudo, mostra o baixo ritmo de atividades do setor. A sondagem é elaborada pela Fiemg em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e em parceria com o Sinduscon-MG. Os indicadores variam de 0 a 100, sendo que valores acima de 50 pontos indicam crescimento e, abaixo, indicam queda.