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DC Sustentabilidade

21/11/2015

Reciclagem viabiliza indústria do alumínio

Em 2014, o País reciclou 289,5 mil toneladas de latas para bebidas, avanço de 12,5% sobre o resultado de 2013
Daniela Maciel
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A Latasa Reciclagem processa mais de 200 mil toneladas de alumínio por ano/Divulgação
Se, de um lado, a crise hídrica encarece a energia elétrica e o fornecimento de água - e penaliza as indústrias eletrointensivas com um aumento de custos que chega a inviabilizar operações –, a indústria do alumínio no Brasil encontrou na reciclagem um caminho eficiente para não parar e baratear custos.

De acordo com dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), o Brasil reciclou 289,5 mil toneladas de latas de alumínio para bebidas, das 294,2 mil toneladas disponíveis para o mercado em 2014, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior.

O resultado mantém o País com o maior índice de reciclagem do mundo. De acordo com o coordenador do Comitê de Mercado de Reciclagem da Abal e também CEO do Grupo ReciclaBR, Mario Fernandez, isso demonstra o grau de amadurecimento desse mercado. “Há mais de 10 anos, somos o país com maior índice de reciclagem do mundo, com desempenhos sempre superiores a 90%. Isso demonstra a maturidade e estruturação do segmento de reciclagem brasileiro. Este é um mercado cada vez mais representativo para a indústria, sociedade e meio ambiente”, explica Fernandez.

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Coleta - Em 2014, a coleta de latas de alumínio para bebidas injetou R$ 845 milhões na economia nacional. A atividade de reciclagem consome apenas 5% de energia elétrica, quando se compara ao processo de produção do metal primário. Isso significa que a reciclagem das 289,5 mil toneladas de latas em 2014 proporcionou uma economia de 4250 Gwh/ano ao País, número equivalente ao consumo residencial anual de 6,6 milhões de pessoas, em 2 milhões de residências.

O ciclo do alumínio reciclado envolve uma cadeia de milhares de pessoas em todo o País. Começa com os catadores de sucata, que podem atuar isoladamente ou em cooperativas, passa pelos centros de coleta, que dão o primeiro tratamento ao material, pela indústria de reciclagem propriamente dita – aquela que gera o alumínio secundário, que pode ser destinado a diferentes fins – até a que fabrica novas latinhas.

Em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, em São Paulo, é possível acompanhar praticamente todo o processo. A presidente da Cooperativa de Trabalho Moreira César Recicla, Maria Ângela Gonzaga, comanda uma equipe de 20 mulheres e três homens. Por dia, são coletados 200 quilos de rejeitos diversos. “O material mais importante é a lata. Coletamos 500 quilos por mês (em média) e conseguimos um ganho de R$ 600 para cada catador por oito horas de trabalho diário. Nosso maior objetivo é vender diretamente para a indústria, eliminando os atravessadores que ficam com parte dos ganhos”, explica Maria Ângela Gonzaga.

Agregar - No segundo degrau da escada está a Latasa Reciclagem. Líder no mercado brasileiro de reciclagem de alumínio há mais de 10 anos, a empresa atende a todas as regiões do Brasil. Através dos 22 Centros de Coleta Latasa/Garimpeiro Urbano e três centros de fundição (dois em Pindamonhangaba e um em Itaquaquecetuba, também em São Paulo) a empresa processa mais 200 mil toneladas de alumínio por ano.

Os centros de coleta Latasa compram vários tipos de sucata de alumínio de pequenos, médios e grandes fornecedores e cooperativas e, a partir dessa etapa, todo o processo é realizado pela empresa, que produz com a matéria-prima reciclada metal líquido, lingotes, ligas de alumínio, deox, dross, placas RSI e vergalhão. A Latasa é parte do Grupo Recicla BR. Cada centro de coleta da empresa tem capacidade para processar até 400 quilos de lata solta por hora.

De acordo com o supervisor do Centro de Coleta de Compras de Pindamonhangaba, Sílvio Leite, a matéria-prima recebida passa por um forte controle de qualidade que garante que o material prensado chegue à indústria em condições de ser fundido e ser novamente um alumínio que possa ser transformado em embalagens e outros produtos. “A principal impureza é areia. Ela vem misturada para dar peso ao lote. Eventualmente, somos obrigados a devolver a mercadoria e até penalizar o fornecedor, que pode ficar suspenso”, afirma Sílvio Leite.

Minas Gerais - Em Minas Gerais a empresa deve reabrir o centro de coletas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ainda no primeiro semestre de 2016. O investimento previsto é de R$ 1 milhão, com geração de 10 a 12 empregos diretos e 50 indiretos. “Minas é um estado muito importante para a companhia e voltar a ter um centro de coletas é uma questão estratégica. Atualmente, o atendimento é feito por centros de São Paulo, mas este é um mercado que exige presença. Precisamos criar relacionamento, respeitar e educar o fornecedor e o cliente”, destaca o CEO do Grupo ReciclaBR.

Depois de passar pelo centro de coleta, o material prensado segue para planta industrial da Latasa. Atualmente, 200 mil toneladas de alumínio são recicladas pelo grupo, que vende a matéria-prima reciclada para indústrias automobilísticas, de embalagens, de bens de consumo, construção civil e siderúrgicas.

Todo o alumínio líquido produzido na unidade de Pindamonhangaba e quase todo em lingotes é enviado para a unidade da Novelis instalada na mesma cidade. A empresa é líder mundial em laminados e reciclagem de alumínio. Uma intrincada rede de prensas é capaz de transformar lingotes de até 600 milímetros em lâminas de 0,3 milímetros extremamente maleáveis e resistentes. De ponta a ponta, o processo, que pode ser a frio ou a quente, leva, em média, 10 minutos.

Reaproveitamento gera economia

Estudo realizado pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) revela que a reciclagem da lata de alumínio para a obtenção de uma nova embalagem reduz em 70% as emissões de gás carbônico e 71% o consumo de energia em relação à lata fabricada apenas com alumínio primário. O Cetea analisou diversos aspectos do ciclo de vida da lata, considerando o impacto em cada fase da sua produção – extração da bauxita, produção do alumínio primário e da chapa de alumínio e fabricação da lata e da sua tampa – além do consumo de energia elétrica e de combustível no processo produtivo e no transporte. Da cadeia de reciclagem foram considerados dados de coleta, transporte da lata pós-consumo (sucata) e processo de reciclagem.

A partir dos dados coletados para a análise do ciclo de vida (ACV), foi possível retratar três cenários para a produção de latas e tampas de alumínio: um utilizando apenas metal primário (0% de reciclagem); produção com 50% de metal primário de 50% de metal reciclado; e produção com 2% de metal primário e 98% de metal reciclado (índice brasileiro de reciclagem de latas de alumínio para bebidas de 2011) – considerando que o total reciclado substitui volume equivalente de material primário.

No primeiro cenário a economia de energia elétrica e de bauxita é zero. No segundo, de 36% e 47%, respectivamente. E no último, com a maior quantidade de metal reciclado, são economizados 71% da energia elétrica e 93% de bauxita.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), Renault Castro, faltam políticas públicas que incentivem o consumo de embalagens de lata. “Precisamos entender a reciclagem como importante para toda a cadeia produtiva e para o meio ambiente. Outros materiais não têm centros de coleta e, portanto, não têm logística para alcançar um índice tão grande de reciclagem. Precisamos nos aproximar mais e qualificar os catadores. Para isso necessitamos desonerar a cadeia e implantar um regime tributário de acordo com o impacto ambiental da embalagem”, reclama Castro.

Em breve deve ser lançado, pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o Programa de Rotulagem Ambiental, que define que o objetivo geral dos selos e declarações ambientais é incentivar a demanda e a oferta de rótulos que causem menos impacto no ambiente, por meio da comunicação de informações precisas, verificáveis e confiáveis, estimulando, assim, o potencial para a contínua melhoria ambiental voltada para o mercado, conforme preconiza a norma ISO 14025.


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