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DC Sustentabilidade

18/03/2017

Projeto busca desenvolver cadeia de produção sustentável em Minas Gerais

Principal objetivo da iniciativa é a redução de emissões de gases de efeito estufa através da inovação
Mírian Pinheiro
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Projeto do Pnud Brasil busca a redução das emissões de gases de efeito estufa do parque guseiro nacional/Carlos Nogueira/Divulgação
Segundo levantamento realizado recentemente pelo Projeto Siderurgia Sustentável, a partir de dados do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer) e da Associação Mineira de Silvicultura (AMS), entre 2005 e 2016, a indústria siderúrgica brasileira produziu, em média, 32,2 milhões de toneladas anuais de ferro-gusa. Desse total, 8,6 milhões foram obtidos a partir do carvão vegetal, o que representa um consumo médio anual de 6,4 milhões de toneladas do insumo. Para fazer frente aos números superlativos do setor, o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento - Pnud Brasil - está às voltas com mais um projeto: o Siderurgia Sustentável.

A iniciativa estruturada em 2016 recebeu investimento de US$ 7,15 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e tem como principal objetivo a redução de emissões de gases de efeito estufa por meio do incentivo ao crescimento sustentável do setor. “O ‘motor’ do projeto é a redução de emissões de gases de efeito estufa. Assim, incentivamos a conversão da produção do carvão vegetal e do seu uso na siderurgia para arranjos tecnológicos e processos sustentáveis.”, diz a assessora técnica do Pnud, Saenandoah Dutra.

Segundo a gerente de projetos do Pnud, Patrícia Benthien, que esteve em Belo Horizonte participando, junto a outros parceiros, das formulações de ações para este ano, a iniciativa é audaciosa: “trata-se de um projeto-piloto amparado pelo poder público e iniciativa privada. O primeiro resultado esperado é a melhoria e o fortalecimento do arcabouço normativo e institucional da siderurgia para incentivar o setor, de forma a favorecer o desenvolvimento sustentável desde a produção do carvão vegetal até seu uso na produção de ferro-gusa, aço e ferroligas”, observa.

Patrícia Benthien diz que já foram recebidas 27 manifestações de interesse de produtores e consumidores de carvão vegetal no setor siderúrgico de Minas Gerais. As que apresentarem soluções sustentáveis mais adequadas, avaliadas a partir de critérios definidos em edital – a ser lançado em abril deste ano - serão escolhidas. “O primeiro passo do Projeto Siderurgia Sustentável foi lançar uma chamada de interesse para entender a demanda do mercado no que se refere à conversão da produção e do consumo do carvão vegetal na siderurgia para arranjos sustentáveis. Mês que vem, deveremos lançar o edital que vai selecionar as propostas/projetos mais adequados”, espera a assessora técnica.

O Brasil é o único a usar o carvão vegetal como termorredutor na produção de ferro-gusa, aço e ferroligas

Soluções - As melhores propostas receberão aporte estimado em R$ 10 milhões (o valor depende da variação do dólar, já que os recursos recebidos do GEF estão a moeda norte-americana), que serão distribuídos entre as instituições selecionadas e pagos em até três parcelas, a última após a validação do resultado.

Saenandoah Dutra explica que, ao assinar o contrato, a empresa/instituição selecionada recebe uma primeira parcela dos recursos a ela destinados (25% do total) para a compra de equipamentos e materiais necessários para a implementação do projeto. Quando o mesmo estiver pronto para entrar em funcionamento, a empresa/instituição recebe outra parcela (25%) para iniciar as atividades. Ao final de um ano, caso tenha alcançado os resultados propostos, como diminuição de gases de efeito estufa, aumento do rendimento gravimétrico (rendimento da carbonização em relação à madeira), melhoria das condições de trabalho etc., a empresa/instituição recebe o valor restante (50%) a título de “pagamento por resultados.

A pré-qualificação foi aberta para pessoas jurídicas em geral: empresas privadas, consórcios de empresas, instituições de pesquisa e desenvolvimento (públicas ou privadas), associações de produtores, cooperativas etc. Foram aceitas inscrições de produtores de carvão das mais diversas escalas produtivas: de pequenos produtores independentes ou associados/cooperados, a grandes produtores integrados à indústria siderúrgica. Como resultado do edital de pré-qualificação, foram recebidas 27 propostas de 38 instituições. Pequenos produtores de carvão também serão contemplados.” O Projeto Siderurgia Sustentável não pretende mapear toda a cadeia produtiva, mas sim fornecer apoio a pequenos produtores de carvão vegetal interessados em implementar boas práticas de produção e em realizar uma gestão mais eficiente do seu negócio”, explica Saenandoah Dutra.

Para atendê-los, duas a três unidades demonstrativas serão montadas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), do governo de Minas Gerais, para capacitação e replicação de conhecimentos. “A construção de duas unidades já está prevista. Estamos buscando parcerias para expandir esse número”, diz a assessora.

Segundo Saenandoah Dutra, atualmente o Brasil é o único país do mundo a usar o carvão vegetal como termorredutor na produção de ferro-gusa, aço e ferroligas - todos os demais usam o carvão mineral. Assim, a siderurgia brasileira a carvão vegetal é a única que pode dizer que tem uma produção “verde”, ou seja, de menor impacto ambiental no que se refere às emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a siderurgia mineira, por usar carvão vegetal produzido a partir de florestas plantadas, cria empregos no interior do Estado.

Uso de carvão vegetal renovável é caminho alternativo

Parceria - A iniciativa, pioneira no Estado, incentiva o aumento da eficiência dos processos de conversão de biomassa em carvão e busca construir um ambiente institucional e normativo favorável ao uso do carvão de floresta plantada pelas indústrias de ferro-gusa, aço e ferroliga.

Durante a reunião em Belo Horizonte, o assessor de Relações Internacionais do governo de Minas Gerais, Hugo Salomão, disse que o projeto vai exercer um papel estratégico no cumprimento das metas e compromissos, nacionais e estaduais, para a redução da emissão desses gases, isso por estar vinculado a acordos internacionais, como o de Paris, resultado da Conferência do Clima de Paris (COP 21) realizada na França, em 2015. Na visão da coordenadora Josana Lima, a atuação do governo de Minas Gerais é estratégica para o engajamento conjunto do setor siderúrgico, uma vez que os principais produtores e consumidores de carvão vegetal no Brasil estão situados no Estado.

“Em 2016, estruturamos a governança do projeto e iniciamos os estudos que servirão de base para a execução do mesmo ao longo dos próximos três anos. Para 2017, temos duas prioridades. A primeira é iniciar a capacitação do produtor independente de carvão, para que possa produzir de forma ambiental, social e economicamente sustentável. A outra prioridade é lançar o edital que selecionará empresas e instituições que queiram fazer essa conversão para a produção sustentável ou ampliar a produção que já é feita dessa maneira”, resumiu a assessora técnica do Pnud, Saenandoah Dutra.

O Projeto Siderurgia Sustentável tem coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), execução do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud) e recebe apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e o governo de Minas Gerais, com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

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