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DC Inovação

25/09/2015

Programa Criatec investirá R$ 486 milhões

Criada pelo BNDES, e que em Minas conta com recursos do BDMG, iniciativa vai beneficiar 108 empresas
Thaíne Belissa
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Fernando Wagner da Silva, do Criatec 2; Haim Mesel, sócio-fundador da Triaxis Capital; Roberto Castro Jr., da Ventrix; e Marcello Ladeira, da Siteware/Bruna Marta/BDMG
Empreendedores de diferentes áreas ligadas à inovação se reuniram na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte, na última quarta-feira, para debater sobre uma importante fase da vida de uma empresa de inovação: a captação de recursos. Durante o evento, os participantes conheceram o fundo de investimento Criatec II.

O Criatec II é a segunda versão de um programa bem-sucedido criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em Minas Gerais, o programa conta também com recursos do BDMG. Na primeira edição, foram aplicados R$ 100 milhões em 36 empresas brasileiras, que agora já estão em fase de desinvestimento.

Iniciada em 2013, a segunda fase do programa tem aporte ainda maior: R$ 186 milhões. Serão beneficiadas 36 empresas que faturem de zero a R$ 10 milhões por ano. Até o momento, cerca de 15 empresas já foram selecionadas para o fundo, sendo três mineiras. A expectativa é de que sejam selecionadas mais cinco empresas no Estado. Uma terceira fase do programa também já está sendo preparada e deve ser iniciada no início do ano que vem. O Criatec III investirá cerca de R$ 200 milhões em 36 empresas inovadoras de todo o País.

O diretor de negócios do BDMG, Carlos Fernando da Silveira Viana, explicou que o Criatec II é um dos seis fundos de investimento voltados para a inovação do banco. Ele também adiantou que o BDMG vai lançar outros três fundos com esse foco ainda este ano. "Estamos procurando inovação. Mas o que é isso? Existem mais de 500 mil conceitos para inovação, mas um dos que gostamos é Àuma ideia que foi para o mercado". Além disso, é interessante pensar no que não é inovação: modernizar planta industrial, expandir sem diferencial, correr atrás do prejuízo, por exemplo, não é inovar", disse.

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O executivo do Criatec II, Fernando Wagner da Silva, destacou a importância do programa para o desenvolvimento de empresas inovadoras no País. Ele lembrou que o Brasil ainda está engatinhando na oferta de venture capital e capital semente, mas que o Criatec é uma prova de que o País está avançando. Segundo ele, o fundo não limita as áreas de conhecimento, mas tem um requisito básico: busca inovação. "Analisamos vários aspectos das empresas, mas o que o fundo está realmente procurando é inovação: seja em tecnologia, em modelo, localmente ou globalmente", disse.

Além disso, o executivo lembrou que a qualidade da equipe, o potencial de escalabilidade e o mercado em que a empresa atua também são pontos importantes na análise dos candidatos. Silva destacou que o empreendedor que quer ser bem-sucedido precisa ter visão estratégica do setor. "A paixão pelo negócio é importante, mas isso não pode impedir o gestor de enxergar o que o mercado está realmente demandando", aconselhou.

O executivo também lembrou que o investimento de um fundo traz para as empresas muito mais que recursos financeiros. Segundo ele, junto com o dinheiro vem a expertise em gestão, a inteligência de mercado, o conhecimento, o valor diante do mercado e até a resolução de conflitos.

Empresas mineiras - Em Minas Gerais, três empresas já foram aprovadas para o Criatec II. Elas são a Siteware e a HTP Solution, do segmento de TI, e a Ventrix, que atua no segmento de saúde. Cada uma vai receber R$ 2,5 milhões de investimento. Participaram do evento no BDMG o CEO da Ventrix, Roberto Castro Júnior, e o CEO da Siteware, Marcello Ladeira.

A Ventrix está instalada em Itajubá, no Sul de Minas Gerais, e atua no segmento de soluções tecnológicas para a saúde. A empresa desenvolveu o Cardiofit, equipamento que permite a realização de exames cardiológicos em unidades de saúde que não tenham um cardiologista disponível.

O CEO afirma que o fundo tem contribuído muito para o crescimento da empresa em diferentes aspectos, como governança, networking e captação de profissionais experientes. Ele afirma que a chegada do fundo como sócio nunca gerou constrangimento para empresa, pelo contrário, tem ampliado a visão dos gestores. "O que era feito a quatro mãos, agora é feito a seis. Todos estão trabalhando pelo bem da empresa e as visões se somam muito", disse.

Já a Siteware tem 14 anos e está sediada no BHTec, parque tecnológico de Belo Horizonte. A empresa é especializada em soluções para gestão e melhoria de resultados corporativos. De acordo com o CEO, a startup oferece cinco produtos que auxiliam no acompanhamento de indicadores, no desempenho de processos e de projetos, na apresentação dos resultados e na gestão de reuniões.

Ladeira relatou que quando decidiu se candidatar ao Criatec II recebeu algumas críticas. Mas ele entendeu que era o momento de abrir a empresa para um fundo visando seu crescimento. "Mais que dinheiro, eu procurava inteligência de mercado, pensamento fora da caixa, facilidade para atrair talentos. E hoje nossa equipe conta com pessoas de muito talento e posso dizer que fomos colocados na Àboca do gol" para conversar com grandes empresas e apresentar nossas soluções", afirmou.

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