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Finanças

07/09/2017

Poupança tem captação líquida de R$ 2,1 bilhões

Resultado de agosto é o melhor registrado no período desde 2013, de acordo com o Banco Central
ABr/AE
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Apesar do resultado positivo em agosto, a poupança registra saques líquidos de R$ 7,8 bilhões no acumulado deste ano/Divulgação
Brasília - O volume de recursos que os investidores depositaram na poupança em agosto, já descontados os saques, somou R$ 2,144 bilhões, informou na quarta-feira o Banco Central (BC). Este é o quarto mês consecutivo em que houve captação líquida.

O resultado para a poupança foi o melhor para meses de agosto desde 2013, quando houve depósitos líquidos de R$ 4,646 bilhões. Em agosto do ano passado, houve saques líquidos de R$ 4,466 bilhões e, em julho de 2017, aportes de R$ 2,336 bilhões.

Os últimos dias úteis do mês, quando geralmente o volume de depósitos sobe em função do pagamento de salários, foram os destaques. Juntos, os dias 29, 30 e 31 somaram R$ 5,056 bilhões em depósitos na poupança, já descontados os saques.

Em 2015 e 2016, a crise econômica acirrou os saques na poupança, com as famílias mais retirando do que colocando recursos na caderneta para fazer frente às despesas. Em 2017, o fenômeno voltou a ocorrer, com retiradas líquidas em janeiro, fevereiro, março e abril. Em maio, junho, julho e, agora, em agosto, houve captação líquida. Neste período, os trabalhadores puderam retirar recursos de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que contribuiu para elevar os depósitos na poupança.

De acordo com o BC, o total de aplicações na poupança em agosto foi de R$ 179,684 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 177,540 bilhões. O estoque do investimento na poupança está em R$ 687 bilhões, já considerando os rendimentos de R$ 3,646 bilhões de agosto.

No acumulado de 2017 até agosto, a poupança registra saques líquidos de R$ 7,811 bilhões, resultado de aportes de R$ 1,355 trilhão e retiradas de R$ 1,363 trilhão. Em todo o ano passado, em meio à crise, R$ 40,702 bilhões líquidos saíram da poupança.
Além da influência da crise econômica, a poupança vinha perdendo espaço para outros investimentos, considerados mais atrativos. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a Selic (a taxa básica de juros) está acima de 8,5% ao ano.

Selic - A queda da taxa Selic para 8,25% ao ano, anunciada na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mudou o cálculo do rendimento da poupança, que diminuirá. Mesmo assim, a caderneta continuará rendendo mais que a inflação e a maioria dos fundos de investimento.

Com a diminuição dos juros básicos, a poupança passará a render 5,78% ao ano. Mesmo com o rendimento menor, o investidor não perderá dinheiro porque a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 2,46% nos 12 meses terminados em agosto, no menor nível nessa comparação desde fevereiro de 1999.

Não necessariamente todo o saldo da poupança passará a ser corrigido pelo novo cálculo. Os depósitos feitos até 3 de maio de 2012, data em que foi publicada a medida provisória que alterou os rendimentos da poupança, continuarão a render 6,27% ao ano mais a TR, independentemente da taxa Selic em vigor. O correntista pode verificar, nos extratos bancários, a parcela depositada em cada um dos períodos.

Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, em 2012, o governo precisou mudar o cálculo do rendimento da poupança para evitar um desequilíbrio no mercado financeiro. Caso a poupança continuasse a render pela regra antiga, ninguém aplicaria nos fundos de investimento quando a Selic caísse abaixo de 8,5% ao ano.

Segundo Oliveira, como os fundos são um dos principais compradores de títulos públicos federais, o governo correria o risco de não conseguir vender os papéis no mercado e não conseguir dinheiro para rolar (renovar) a dívida pública.

De acordo com o diretor da Anefac, a baixa inflação e o fato de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxa de administração farão a poupança continuar atrativa. Pelas simulações da entidade, mesmo com a mudança nas regras, a caderneta continuará a render mais que os fundos em quase todos os casos.

“Apenas nos casos em que a taxa de administração for inferior a 1%, os fundos serão mais atrativos”, calcula o diretor-executivo da Anefac.

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