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DC Auto

06/01/2017

Os desafios da indústria no cenário atual

Embora os automóveis sejam responsáveis por geração de trabalho, o setor é bastante vulnerável
Rogério Machado*
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Fachada da planta do Grupo FCA em Goiana, Pernambuco/Grupo FCA/Clelio Tomaz
A força da indústria automotiva sobre a economia é determinante em qualquer parte do mundo. Prova disso é que apenas um dos países integrantes do G20 não produz automóvel: a Arábia Saudita.

O significado desse setor sobre os empregos é colossal e, no Brasil, a cadeia produtiva do automóvel absorve 1,5 milhão de empregos, número discreto comparado com 7,25 milhões dos Estados Unidos e os 12 milhões da Europa.

Por aqui, a estratégia do governo sobre o setor sempre gerou incongruências. Uma delas é a carga tributária que passa dos 30%, quase duas vezes maior do que a do Japão e mais de quatro vezes a norte-americana.

Embora os automóveis sejam vetores de tanta riqueza, a posição de abrangência desta atividade também faz com que o setor seja muito vulnerável às intempéries econômicas. E isto se agrava ainda mais com a oscilação da taxa de juros, já que a maior parte dos negócios acontece através de financiamentos.

O revés da economia brasileira impôs mais um ano de queda na produção e, estimando os números de dezembro, teremos no mínimo 13% de perdas na produção. Somando nacionais e importados, estima-se que o número de veículos e comerciais leves vendidos por aqui ficará perto de 1,9 milhão.

O resultado ruim traz consequências sociais inestimáveis. A grande redução de postos de trabalho no setor provavelmente não irá recuperar os patamares pré-crise.

As tecnologias de produção se desenvolvem rapidamente e os produtos são projetados para favorecerem os processos industriais, sendo assim, podemos concluir que cada projeto novo demandará menos energia e menos mão de obra.

Os investimentos das empresas não param e, em meio a toda confusão, as montadoras tiveram êxito em incorporar soluções mecânicas atuais com propulsores mais eficientes, dando um passo importante.

Entre as inúmeras oportunidades de aprendizado, esse momento difícil coloca em xeque as engessadas relações trabalhistas e evidencia a necessidade de uma gestão pública menos intervencionista e que se volte para itens como educação, produtividade e infraestrutura.

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Na Europa, o crescimento foi de 6%


Estados Unidos – Nos EUA, o desempenho da indústria automotiva foi positivo pelo terceiro ano consecutivo, com 17,4 milhões de unidades vendidas, superando por pouco os números de 2015. Apresenta, no entanto, um nítido sinal de estabilização pela frente com anúncios de lay off por parte de grandes empresas, já no início do ano.

Um indicador utilizado para prever o crescimento do mercado americano é a venda de imóveis residenciais que, até setembro, apresentou uma queda de 7,6%. Um motivo adicional para que o crescimento das vendas de automóveis não seja significativo.
No próximo ano ainda existe a incerteza com relação às estratégias do novo presidente tanto no setor industrial quanto na política ambiental.

Os fabricantes americanos têm sobre si regulamentações ambientais cada vez mais severas e, por outro lado, uma elevada participação de camionetes médias no mercado, notoriamente produtos mais pesados e mais difíceis para a gestão das emissões.

Dessa forma se eleva a pressão sobre o Congresso e, um governo predominantemente republicano, pode se tornar mais receptivo aos pedidos de afrouxamento das exigências.
Outra situação interessante, e que traz alguma incerteza, paira sobre o carro elétrico que custa mais que os convencionais e exige incentivos governamentais para a sua introdução. Sem a participação do governo, ele não evolui.

*Colaborador

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