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Internacional

12/09/2017

Maduro busca apoio no mundo islâmico

Presidente participou da cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica para romper isolamento diplomático
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Nicolás Maduro também se reuniu com os presidente da Turquia e do Cazaquistão/Marco Beloo/Divulgação
Astana - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, buscou apoio no mundo islâmico, tanto no plano político quanto petrolífero, ao participar da cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC). A informação é da Agência EFE.

“O povo venezuelano, especialmente nos últimos seis meses, foi testemunha de invasões e intervenções dos Estados Unidos, mas resistiremos a essas pressões mantendo a nossa unidade”, disse Maduro ao se reunir com o presidente do Irã, Hassan Rohani.

O presidente venezuelano chegou na noite de sábado (9) a Astana, capital do Cazaquistão, para participar da cúpula islâmica, com o objetivo de romper o isolamento diplomático, reforçar a independência financeira e evitar um possível colapso econômico de seu país devido à nova leva de sanções dos Estados Unidos.

Além de debater os temas petróleo, geopolítica e cooperação com Rohani, Maduro se reuniu com outro líder regional, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e foi recebido pelo presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.

Em sua chegada à capital do país centro-asiático, ele ratificou que a missão da visita-relâmpago era diversificar as relações econômicas com os países árabes e consolidar os laços com os países que não são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Na viagem ao Cazaquistão para “abrir portas”, Maduro fez breve escala na Argélia, um dos maiores produtores mundiais de gás e petróleo.

O presidente venezuelano foi convidado a participar da cúpula da OIC, que é integrada por 57 países, como presidente do Movimento de Países Não Alinhados (MNOAL), cargo que ocupará até 2019.

“É tempo de lutar por outro mundo. É tempo de lutar por um mundo sem guerras, sem terrorismos, sem impérios hegemônicos”, disse, em clara alusão aos Estados Unidos, país ao qual acusa de pressões para provocar sua derrubada.

Maduro destacou que só com união as duas organizações poderão avançar nesses objetivos de justiça e paz. “Na Venezuela revolucionária e bolivariana, acreditamos profundamente que é tempo para o diálogo, para um diálogo profundo de culturas, civilizações e de religiões”, acrescentou.

O presidente venezuelano lembrou que as duas organizações compartilham princípios como o “multilateralismo inclusivo”, que classificou como “ferramenta mais efetiva” para encarar os desafios globais. “E a rejeição da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política dos países e a rejeição da imposição de sanções unilaterais, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas e as normas do direito internacional”, afirmou.

Maduro também destacou a postura comum de “defesa da resolução pacífica de controvérsias, da democracia, do desenvolvimento e do respeito a todos os direitos humanos e às liberdades fundamentais”.

Quanto ao conflito palestino-israelense, ele disse que a organização que presidirá até 2019 pede com urgência “uma solução justa, duradoura, integral e pacífica para o conflito” e “condena as práticas ilegais da potência ocupante”.

Preços - O ministro de Petróleo venezuelano, Eulogio del Pino, participou no sábado em Astana de reuniões com países produtores. Ele explicou que o objetivo da proposta é estabilizar não só os preços do petróleo, mas também os do gás e de outras fontes de energia.

Antes de viajar ao Cazaquistão, Maduro anunciou que, com o objetivo de reduzir a dependência da Venezuela do dólar e das pressões dos Estados Unidos, Caracas se propõe a vender gás e petróleo em iuanes, ienes, rublos e rúpias, entre outras moedas.
Essas medidas visam a fortalecer o “modelo socialista”, implantado nas últimas duas décadas pelo movimento chavista no país caribenho.

Maduro viaja acompanhado de uma delegação de parlamentares constituintes, liderada pelo presidente da Comissão Internacional, Adán Chávez, irmão mais velho do falecido líder venezuelano e antecessor de Maduro, Hugo Chávez.

Primárias - Os venezuelanos votaram no último domingo nas primárias convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática, para escolher seus candidatos unitários à eleição de governadores, marcada para outubro.

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