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Negócios

13/09/2017

Fábrica de ímãs vai gerar 5,6 mil empregos

Capacidade de produção anual da planta, que será instalada em Lagoa Santa, será de 100 toneladas
Leonardo Francia
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A Codemig pode produzir 100 toneladas de ímãs por ano/Divulgação
O laboratório-fábrica de ímãs de terras-raras da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) será implantado em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A planta está recebendo investimentos de R$ 80 milhões, distribuídos em obras civis, compra de equipamentos e estudos de viabilidade, e será a primeira do País na fabricação de ímãs. Apesar de não ter informado a previsão de conclusão das obras e de início das operações, a estimativa da Codemig é de que o empreendimento vai gerar 5,6 mil empregos, entre diretos e indiretos.

Conforme informou a Codemig, até o momento foram investidos R$ 3 milhões, referentes ao contrato com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), que já entregou o Plano de Negócios e o Projeto Executivo do empreendimento. Com esses documentos entregues, o processo de licitação para a obra civil da fábrica já foi aberto e o investimento projetado é de R$ 33,6 milhões.

Além do custo da obra civil (R$ 33,6 milhões), o restante do montante que completa os R$ 80 milhões refere-se à compra de equipamentos da fábrica e do laboratório. A capacidade anual do empreendimento será de 100 toneladas de ímãs e área construída deve ser de 5,1 mil metros quadrados.

Apesar de o foco do projeto ser o desenvolvimento da tecnologia, a Certi também realizou estudo preliminar para a construção de uma unidade industrial. Outro estudo, este mais robusto, deverá ser feito depois dos primeiros anos de operação do laboratório-fábrica, já que o objetivo do empreendimento é viabilizar o desenvolvimento de toda a cadeia, desde a produção dos óxidos de terras-raras até suas aplicações.

Aplicação - Os produtos de terras-raras que serão usados como matéria-prima para a fabricação dos ímãs serão extraídos no mesmo processo de produção do nióbio pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial no mercado do produto, a partir de seu complexo industrial em Araxá, no Alto Paranaíba. A jazida pertence à Codemig e a CBMM também é parceira no projeto.

O projeto pode cobrir uma lacuna porque o mercado internacional desse tipo de ímã forçou os fabricantes a instalarem fábricas em regiões com oferta abundante de matéria-prima, como a China, impondo um monopólio de 97% da produção mundial de óxidos de terras-raras e limitando a exportação por meio de cotas. Como consequência, o mercado nacional passou a ser atendido exclusivamente via importação, o que resulta em volatilidade de preços e escassez de oferta.

Os ímãs de terras-raras são componentes-chave de aplicações intensivas em energia, como aerogeradores e motores elétricos para máquinas industriais, eletrodomésticos, elevadores e carros híbridos e elétricos.

Além da Certi e da CBMM, o projeto conta com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN) e das empresas Imag e Brats. A Codemig já recebeu Cartas de Interesse de Teste e Desenvolvimento de Produtos utilizando ímãs nacionais de empresas nacionais e estrangeiras.

Terras-raras no Brasil

O Brasil tem uma das maiores reservas de terras-raras do planeta, mas não as explora - o Brasil tem reservas estimadas em 40 mil toneladas cúbicas de terras-raras, contra 36 milhões da China. As ocorrências de terras-raras no território nacional estão associadas a minerais radioativos, o que caracteriza a presença de outros elementos com valor comercial.

Terras-raras no mundo

Cerca de 97% da produção de terras-raras no mundo estão concentradas na China. Essa situação permitiu ao país alterar bruscamente em 2010 os preços dos componentes e estabelecer cotas de exportação, colocando em ameaça o fornecimento para a indústria de todo o mundo.

A China adotou a estratégia do baixo preço, inibindo investimentos no setor em outros países.

Agora, com o setor de produtos de alta tecnologia já desenvolvido, o país restringe a exportação das matérias-primas para não criar concorrentes para sua indústria de bens acabados.

No final de 2010, o preço da tonelada do lantânio, que girava em torno de US$ 5,7 mil, chegou a custar US$ 50 mil após a China, responsável por 97% da produção mundial de terras-raras, limitar a exportação por cotas.

Estados Unidos, Japão e União Europeia já estão buscando alternativas para garantir o suprimento desses materiais, já tendo inclusive solicitado informações sobre o potencial de exploração e produção mineral das terras-raras no Brasil.

Os ministérios de Minas e Energia (MME) e da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) querem criar uma política para a exploração de minerais conhecidos como terras-raras, que apresentam propriedades químicas e físicas úteis para aplicação industrial em produtos de alta tecnologia

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