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Economia

10/10/2017

Endividamento volta a recuar na Capital

Intenção de consumo das famílias chegou ao menor índice deste ano em setembro, aponta pesquisa
Ana Amélia Hamdan
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O cartão de crédito responde por 87,5% das dívidas dos consumidores em Belo Horizonte, segundo a Fecomércio MG/Charles Silva Duarte/Arquivo DC
O número de endividados em Belo Horizonte registrou a segunda queda consecutiva, chegando a 14,4% em setembro, enquanto em agosto e julho foi, respectivamente, de 15,4% e 15,7%. Ainda em setembro, a inadimplência ficou em 4,7%, mostrando estabilidade em relação ao mês anterior (4,6%). O cenário traçado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), está ligado à retração do consumo. De acordo com outro levantamento, também realizado pela entidade, a intenção de consumo das famílias atingiu em setembro seu menor índice do ano, chegando a 71,1 pontos.

De acordo com a analista de pesquisa da Fecomércio MG, Elisa Castro, a melhora de indicadores econômicos – inflação estável, queda dos juros e melhoria dos níveis de emprego – ainda não foram suficientes para estimular o consumo. “O trabalhador não sentiu no bolso a melhoria desses indicadores. Com isso, ele não se sente à vontade para consumir ou se endividar”, explica a especialista.

Elisa Castro ressalta que endividamento alto não é ruim, já que indica consumo e não implica contas em atraso. Já a inadimplência mostra que a conta está em atraso há pelo menos 90 dias.

A Peic apontou que o principal tipo de dívida – que responde a 87,5% - é referente ao cartão de crédito. Em seguida estão o financiamento de casa (7,5%) e o cheque especial (6,5%), entre outros.

Quanto aos inadimplentes, a maior parte, 38,4%, está com dívidas em atraso há mais de 90 dias. Em média, as dívidas estão atrasadas há 59 dias e comprometem 28,01% do orçamento mensal das famílias.

Com as avaliações sobre emprego e renda em queda, a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostrou recuo de 3 pontos, passando de 74,1 em agosto para 71,1 em setembro. Índice abaixo de 100 mostra insatisfação, enquanto acima de 100 indica satisfação.

Segundo Elisa Castro, no início do ano – de janeiro a abril – os índices de intenção de consumo tiveram alta. Em maio, quando ocorreram as delações do empresário Joesley Batista, da JBS, os índices começaram a ter queda e, desde então, não voltaram a subir, evidenciando a interferência da instabilidade política na economia. Há expectativa de que a intenção de consumo tenha elevação com a proximidade do fim de ano e com o pagamento do 13º salário.

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Insegurança - Um dos subitens da ICF, a avaliação sobre o emprego atual ficou em 98,4 pontos, mostrando insatisfação. Em agosto, esse índice ficou em 102,2. Além disso, apenas 16,6% dos entrevistados disseram que atualmente sentem-se mais seguros no seu emprego do que em mesmo período do ano passado.

Quanto à perspectiva profissional, o índice ficou em 72,4 pontos, resultado inferior ao obtido na última avaliação (83,1). A maioria dos entrevistados – 60,5% – não acredita que terá melhora profissional nos próximos seis meses. Quanto à renda atual, o índice ficou em 81,1 pontos, abaixo dos 83,5 da avaliação anterior. A maior parte – 41,5% – entende que a renda piorou no comparativo com igual período de 2016.

O índice de nível de consumo – quando o entrevistado responde se está gastando mais ou menos atualmente em relação com igual período do ano passado – ficou em 68,8 pontos, queda de 5,6 pontos no comparativo com agosto (74,4). O levantamento apontou que 52,1% dos entrevistados afirmaram que a família está comprando menos em comparação ao ano passado. Além disso, 57,4% disseram que, nos próximos meses, vão consumir menos do que no segundo semestre do ano passado. A perspectiva de consumo ficou em 62,4 pontos, sendo que na avaliação anterior foi de 67,6.

Queda dos juros - Acesso ao crédito e momento para adquirir bens duráveis foram os únicos subitens da ICF que mostraram melhoria em setembro no comparativo com agosto. Segundo Elisa Castro, ambos estão ligados à queda dos juros. Ainda assim, os dois tiveram avaliação abaixo dos 100 pontos.

O índice de consumo de bens duráveis ficou em 45,8 pontos, enquanto em agosto foi de 40,4. Mas 72,8% dos entrevistados disseram que atualmente é um mau momento para comprar bens duráveis. Já o indicador de acesso ao crédito chegou a 68,8 pontos, sendo que o resultado anterior foi de 67,8. A pesquisa mostrou que 48,8% acham que está mais difícil conseguir empréstimo agora que no ano passado.

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