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Opinião

14/09/2017

Editorial

Sinais positivos para a economia
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Embora as incertezas no campo político não parem de crescer, num quadro que na opinião de alguns analistas já configura uma crise institucional, no campo da economia surgem evidências de mudanças de ares. A bolsa de valores bate recorde e as cotações do dólar, em baixa, sugerem, pelo menos, que os humores estão melhorando. Quem tenta compreender o que se passa acredita que o mercado estaria entendendo que todos os percalços no campo político de alguma forma favorecem ao presidente Temer, no sentido de que são menores os riscos de que seu mandato seja encurtado, e assim ao mesmo tempo que estariam crescendo as chances de encaminhamento, afinal, da reforma da Previdência. Não a desejada e necessária, mas pelo menos ajustes capazes de retardar o que poderia ser um eventual colapso das contas públicas com efeitos evidentemente devastadores.

Na mesma linha de raciocínio os otimistas acreditam que aos poucos vai sendo aberto espaço para que a administração pública, no plano federal, possa avançar mais na direção das reformas reclamadas. E tudo isso tendo como pano de fundo a inflação e os juros em queda, além dos sinais de que o consumo interno começa a dar sinais de reação, traduzindo aumento do poder de compra, ainda que em parte à custa do crescimento da informalidade. Tudo isso bem resumido nas expectativas do ministro Henrique Meirelles, que já enxerga e anuncia a possibilidade de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) alcance no próximo ano a marca dos 3%, bem acima das previsões mais conservadoras que ainda vêm do mercado financeiro.

Mudanças de expectativas para um viés positivo são fundamentais, no caso presente traduzindo inclusive um certo grau de descolamento em relação ao ambiente político e às mazelas que, infelizmente, continuam ocupando espaços de destaque no noticiário. Tudo isso de qualquer forma continua recomendando muita prudência, especialmente porque não há como prever a real consistência desse processo e, portanto, a sua durabilidade. Poderia ser, dizem os mais amargos, apenas mais um voo de galinha, baixo e de curta duração.

Tudo isso para enfatizarem que processos consistentes e duradouros, verdadeiramente transformadores no campo da economia, sempre estarão condicionados à concretização das reformas estruturais, com ênfase para a tributária, ao efetivo reequilíbrio das contas públicas, com a reforma do Estado dentre outros pontos, e a um ambiente político em que exista pelo menos previsibilidade, além de espaço para a restauração de padrões capazes de devolver confiança nos agentes públicos. Um longo caminho ainda por percorrer, demandando vontade, empenho e tempo.

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