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Opinião

17/06/2017

Editorial

Bem próximo da exaustão
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A crise política que se arrasta, numa sucessão de escândalos e denúncias que não parecem ter fim, evidentemente está comprometendo a governabilidade com prejuízos que se avolumam. Especialmente no âmbito da economia, cujos agentes reclamam justamente estabilidade e confiança como pré-requisitos para a plena retomada dos investimentos e dos negócios. Para eles, e ao contrário do que é dito nos círculos oficiais de Brasília, dar por superada a fase mais aguda da crise é, a estas alturas, gesto bastante temerário. No mínimo, dizem, é preciso que haja previsibilidade, o que claramente ainda não acontece.

É nesse ambiente turvo que o presidente do Congresso Nacional anuncia que, se confirmado o pedido de autorização, pela Procuradoria Geral da República, para que o presidente Michel Temer seja processado, medida que depende de aprovação congressual, todos os esforços serão feitos para que a matéria seja apreciada antes do recesso parlamentar, portanto ainda no mês de junho. O deputado Rodrigo Maia já antecipou que responde a pedido do presidente da República, que tem pressa, acredita que tem força para vencer mais este embate e em bom português deseja tirar a corda do pescoço o quanto antes.

Quem está na oposição pensa e age diferente, garantindo que a base do governo encolheu e está enfraquecida, sem condições de ditar o ritmo. Para quem está de fora e verdadeiramente preocupado com as questões econômicas esta é a visão do inferno.

Primeiro, porque os tênues sinais de recuperação surgidos no início do ano podem se apagar, derrubando as previsões de crescimento maior na segunda metade do ano. Segundo, porque aumenta o risco de que o governo conquiste simpatia e os votos de que precisa à custa de favores que tornariam ainda mais difícil o cumprimento da meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões este ano. Um descontrole que tromba de frente com quem reclama confiança, que sugere mais aperto monetário e retira do horizonte as perspectivas de volta do crescimento.

Nesse rumo também as reformas em andamento, que já perderam substância, estariam paralisadas, num grau de imprevisibilidade que poderia inclusive desmontar a equipe econômica. Nesse momento, a rigor, não se tem clareza sobre nada, resume um empresário depois de lembrar que os tucanos do PSDB deixam claro que seu apoio é relativo e que “fatos novos” – como mais denúncias - podem retirá-los do barco do governo, fazendo aumentar ainda mais a temperatura, sinalizando uma agonia pela qual todos os brasileiros estarão pagando caro. 

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