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Opinião

15/06/2017

Editorial

Estratégia de sobrevivência
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Vencida a batalha do TSE, o clima nos bastidores do Palácio do Planalto é de alívio, conforme narram frequentadores de seus mais bem situados gabinetes. Para o presidente e alguns de seus auxiliares mais próximos, os riscos de que seu mandato possa ser abreviado são agora menores, embora pese ainda a possibilidade, na realidade quase certeza, de enfrentarem denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). A estratégia continua sendo de sobrevivência e o mais importante é manter aberto o guarda-chuva da base parlamentar.

Por hora, todos os movimentos são nessa direção, depois de neutralizadas as mais fortes ameaças de uma defecção tucana, ficando em segundo plano até mesmo a reforma da Previdência, matéria que dificilmente será tratada antes do segundo semestre. No discurso oficial e bem ao contrário do que era dito até há pouco tempo, o adiamento não tem tanta importância, já que os frutos da reforma virão num prazo mais longo, enquanto o verdadeiro horizonte, para o presidente Temer, é dezembro de 2018, quando chega ao fim o seu mandato.

Mas o governo federal dá sinais de que quer parecer simples o que na verdade não é nada simples. Não pelo menos na perspectiva dos milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou dos empresários que já não têm folego para continuar resistindo. Gente que, ao contrário do presidente, não acredita que a recessão tenha ficado no passado e que a economia tenha entrado em rota de expansão. Gente que tem ainda maiores motivos para se preocupar diante de estudos que já não confirmam que 2018 será o ano da recuperação, que será ainda mais lenta e, por conta dos mais recentes desdobramentos da crise política, penalizando a indústria e o setor de serviços, justamente onde estão os empregos melhor remunerados.

Conforme este jornal já publicou, “o cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e, consequentemente, impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos”. Assim já não se espera que o crescimento do PIB neste ano vá além de meio ponto percentual para chegar a no máximo 2,30% no próximo ano, marcando para o primeiro trimestre de 2018 o pico da taxa de desemprego.

Nada disso parece importar para políticos que assumidamente têm a própria sobrevivência como único objetivo. Tampouco para o presidente Temer, que tomou posse dizendo que a sua única ambição seria completar seu breve mandato tendo devolvido aos brasileiros os empregos perdidos.

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