Publicidade
20/11/2017
Login
Entrar

Política

14/09/2017

Delação dos irmãos Batista pode ser anulada

PF prende Wesley por manobra
Reuters
Email
A-   A+
Já detido em Brasília por ordem do STF, Joesley Batista teve a prisão decretada também pela Justiça de São Paulo/Rovena Rosa/ABr
São Paulo - As investigações sobre o suposto uso de informações privilegiadas por executivos da JBS para obtenção de lucros no mercado financeiro podem acarretar na anulação do acordo de delação premiada firmado pelos irmãos Batista com a Procuradoria-Geral da República (PGR), disseram ontem delegados da Polícia Federal.

“Há essa possibilidade porque o acordo de colaboração, a imunidade e os benefícios que foram concedidos ao Joesley e ao Wesley têm correlação às (outras) seis operações em que são investigados. Esse é um fato superveniente ao acordo de colaboração, portanto a imunidade não alcança esses fatos”, disse o delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF em São Paulo, Rodrigo de Campos Costa.

O empresário Wesley Batista, presidente-executivo da JBS, foi preso em São Paulo na manhã de ontem como parte da Operação Tendão de Aquiles, que investiga supostos crimes financeiros cometidos por ele e pelo irmão Joesley, que também teve prisão decretada pela Justiça de São Paulo mas já se encontra detido por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a PF, os executivos são investigados por dois eventos distintos no âmbito do uso de informações privilegiadas.

Em um deles, a empresa FB Participações, que é 100% dos irmãos Batista e detinha uma fatia de 42,5% da JBS, vendeu 42 milhões de ações da processadora por aproximadamente R$ 372 milhões antes do vazamento da delação, enquanto a JBS posteriormente as recomprou no mercado. Essa movimentação permitiu aos executivos da FB Participações evitar um prejuízo potencial de R$ 138 milhões, de acordo com a PF.

“Eles diluem esse prejuízo com a queda das ações no momento em que a colaboração foi divulgada... A maior parte do prejuízo não ficou com os irmãos Batista, e sim com os outros acionistas, inclusive o governo federal, que têm participação por meio do BNDESPar”, disse o chefe da delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros em São Paulo, Victor Hugo Alves Ferreira.

A investigação também abrange a compra de cerca de US$ 2 bilhões em contratos futuros de dólar ao preço de R$ 3,11 pela JBS, segundo a PF. Apenas na véspera da divulgação do acordo de colaboração foram comprados US$ 473 milhões.

“Com o vazamento do conteúdo da delação houve valorização no dólar de 9% e, um dia antes da divulgação do acordo, a JBS ficou em segundo lugar na compra de dólares, o que nunca antes aconteceu na história da empresa”, disse o delegado Costa.

Leia também:
OAB suspende registro de Marcelo Miller

Relatório da CVM
- Os delegados ressaltaram que aguardam relatório final da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para precisar os prejuízos e ganhos auferidos com ambas as operações no mercado financeiro no momento em que celebravam acordo de delação. Conforme Costa, essa pode ser a primeira vez que uma investigação de “insider trading” resulta em prisão preventiva em São Paulo.

Wesley passou por exame de corpo de delito e permanecerá detido na sede da PF em SP aguardando transferência para o sistema penitenciário estadual.

Também foi decretada pela Justiça Federal de São Paulo a prisão de Joesley Batista, que, no entanto, já está detido desde o fim de semana em Brasília por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

A prisão temporária de Joesley se encerra amanhã e pode ser prorrogada ou convertida em preventiva. Se isso não ocorrer, ele será transferido para São Paulo.

“Eles são objeto de seis operações da Polícia Federal simultaneamente e não pararam de delinquir e certamente não vão com a sétima. A prisão preventiva, ainda que seja medida dura, é a única que consegue fazer com que não se cometa mais crimes”, disse o delegado Ferreira.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que defende os irmãos Batista, negou que os clientes tenham cometido qualquer irregularidade no âmbito do mercado financeiro. “Se existisse qualquer irregularidade, eles teriam acrescentado um anexo (à delação premiada), o que levaria a imunidade completa também sobre este fato. Parece óbvio que não fizeram porque não há crime algum. Poderiam ter evitado a investigação e estariam hoje sob o manto da imunidade”, disse.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

18/11/2017
Governo descongela R$ 7,5 bilhões
Desse total, R$ 593,45 milhões serão usados no pagamento de emendas parlamentares
18/11/2017
TSE quer nova data para horário de verão
Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer que o governo federal mude a data do horário de verão do próximo ano. Em encontro com o presidente Michel Temer, na...
18/11/2017
Plenário do STF vai julgar se fatia denúncia
Brasília - O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai levar ao plenário da corte uma sugestão feita pelo presidente Michel Temer para que...
18/11/2017
Maia diz não garantir a votação da MP que reforma texto
Presidente da Câmara acha que documento é ?erro?
18/11/2017
Aprovação das mudanças será mais difícil se processo for adiado até 2018
Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vê dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência, mas avalia que ainda...
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.