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Negócios

11/04/2014

CSEM inicia produção de painel solar de plástico na Capital

Estrutura, instalada no Horto, custou mais de R$ 50 milhões
Thaíne Belissa
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Solução líquida de moléculas condutoras é impressa em placas de plástico/Paulo Cunha / Outra Visão / Divulgação
No momento em que o país vive uma crise no setor energético devido à baixa nos reservatórios das hidrelétricas, um centro tecnológico desembarca em Minas Gerais prometendo revolucionar a economia do país com uma nova forma de gerar energia. Criado através da união de esforços que envolvem o governo estadual e diferentes atores do setor de educação, o CSEM Brasil, filial do Centre Suice d"Electronique et Microtechnique, acaba de se mudar para o campus do Centro de Tecnologia Senai Cetec, no bairro Horto, região Leste da Capital. A estrutura, que custou mais de R$ 50 milhões, abriga duas linhas de desenvolvimento tecnológico, além de contar com a experiência de 21 pesquisadores de 11 nacionalidades diferentes.

De acordo com o CEO do CSEM Brasil, Tiago Maranhão Alves, o centro foi criado em 2007 pelo CSEM S/A da Suíça e a gestora de capitais brasileira FIR Capital. Além disso, o projeto contou com o apoio do governo de Minas Gerais, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e de várias universidades do Brasil e de outros países.

"O que está acontecendo aqui é motivo de muito orgulho para Minas Gerais. Só esse alinhamento entre governo, indústria, academia e um centro privado de pesquisa já é um ambiente que nunca vi em nenhum outro estado", destaca. De acordo com ele, a criação do centro foi baseada em cinco principais dogmas, sendo o primeiro deles o desenvolvimento de algo que não existisse no país.

Também estavam previstos como requisitos básicos a criação de um negócio com investimento gradual, com grande potencial de impacto socioeconômico, que competisse em escala global e permitisse o acesso a parcerias com os melhores do mundo. E foi com base nesses princípios que nasceram as duas linhas de desenvolvimento tecnológico do CSEM Brasil, que tem foco em dois diferentes mercados: energia e microssistemas cerâmicos.

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Inovação - A linha voltada para o setor de energia é baseada na tecnologia fotovoltaica, muito conhecida por sua aplicação nos painéis de energia solar instalados nas superfícies dos prédios. Mas, diferente do que existe hoje, a CSEM trabalha com tecnologia fotovoltaica orgânica. Isso quer dizer que, ao invés de usar o silício, que é duro e inflexível, ela trabalha com uma solução líquida de moléculas condutoras de energia, impressa em placas de plástico. A solução torna-se vantajosa por ser leve, acessível e transparente, permitindo sua utilização em diferentes superfícies.

"Hoje, a energia é produzida no campo, mas seu principal consumo está na cidade. Só com esse processo de distribuição perdemos até 20% da energia gerada. A ideia é que, com nosso produto, a geração de energia seja distribuída: será possível produzir energia exatamente onde ela está sendo consumida", destaca. Como exemplo ele cita a aplicação das placas de plásticos em janelas das casas, lataria de carro, fachadas de prédios e objetos, como pastas e capinhas, para recarga de dispositivos eletrônicos. De acordo com o CEO, no futuro, será possível até que as casas sejam autossuficientes na produção de energia.

Alves lembra, ainda, que a solução permitirá levar geração de energia para lugares remotos e que não têm estrutura para hidrelétricas ou turbinas eólicas. Isso porque, ao contrário dos painéis de silício, os rolos de placas de plásticos são leves e simples de transportar. "Um rolo de 100 metros dessa tecnologia orgânica tem três quilos e equivale a um painel de 150 quilos de silício", compara. Outra vantagem está no menor gasto de energia no processo de produção. Segundo Alves, os painéis de silício precisam funcionar durante dois anos para pagar a energia gasta na sua fabricação, enquanto que a tecnologia orgânica paga esse gasto em dois meses.

Segundo o CEO, essa é a primeira linha de produção especializada nessa tecnologia em todo o continente americano. Para colocar isso no dia a dia das pessoas, a CSEM Brasil está desenvolvendo parcerias com indústrias dos mais diferentes setores, que já estão fabricando produtos com a tecnologia. A expectativa é de que isso comece a chegar ao consumidor em 2015. Esse mercado deverá movimentar R$ 1 bilhão no país em 2019, e 6 bilhões de euros no mundo em 2022. "Estamos propondo uma nova cadeia de valor, que trará novidade em equipamentos, aplicações, patentes e empregos. Além disso, é uma mudança de paradigma na qualidade de vida e na questão social, pois vamos gerar energia onde até então não era possível", conclui.


Microssistemas cerâmicos - A outra linha de desenvolvimento tecnológico presente no CSEM Brasil é voltada para a criação de microssistemas cerâmicos a partir de Low Temperature Co-fired Ceramics (LTCC). Trata-se de componentes de alto valor agregado, que são utilizados em equipamentos, como motores, sondas e satélites. De acordo com Alves, esses microssistemas são amplamente demandados pela indústria do país, mas sempre foram importados, já que, até então, não eram produzidos nacionalmente.

"A plataforma permitirá a nacionalização desses componentes, possibilitando a redução de custos e contribuindo para a inovação e competitividade da indústria no país", diz. De acordo com ele, essa é a segunda linha de produção com essa especialidade nas Américas, sendo que a primeira fica nos Estados Unidos. No restante do mundo, existem outras cinco. A expectativa é de que esse mercado passe de R$ 1 bilhão de faturamento em 2014 para R$ 6 bilhões em 2016.



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