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Finanças

12/09/2017

Bolsa atinge o maior patamar da história

Ibovespa fechou em 74.319 pontos, impulsionado pelo otimismo dos investidores com a continuidade das reformas
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Volume financeiro negociado na sessão de ontem ficou acima da média e atingiu R$ 9,6 bi/Saulo Cruz/MME/Divulgação
São Paulo - A bolsa brasileira bateu seu recorde histórico ontem com a avaliação dos investidores de que uma segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer está mais distante, após a suspensão parcial do acordo dos delatores da JBS, e com o cenário externo favorável.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, fechou em alta de 1,70%, para 74.319 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 9,6 bilhões, acima da média diária do ano, que é de R$ 8,12 bilhões.

No mercado cambial, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,08 na mínima, mas acabou ganhando força no final da tarde. O dólar comercial se valorizou 0,32%, para R$ 3,105. O dólar à vista subiu 0,04%, para R$ 3,089.

O otimismo dos investidores com o noticiário político que alivia o cenário para o presidente Michel Temer ajudou a bolsa brasileira a atingir seu maior nível histórico. O pico anterior havia sido registrado em 20 de maio de 2008, quando o Ibovespa alcançou 73.516 pontos.
O mercado repercutiu a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão dos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, afirmando que há “indícios suficientes de que os colaboradores omitiram” informações sobre a participação do ex-procurador Marcello Miller no processo de delação premiada da JBS.

“Até Joesley deu uma flechada nele mesmo, o que tira força da segunda denúncia do [procurador-geral da República Rodrigo] Janot. Ele tem praticamente essa semana para fazer alguma coisa. Me parece que, do lado político, Temer já está mais forte para seguir adiante”, afirma Pedro Galdi, analista-chefe da Magliano Corretora. Com isso, o presidente poderia, em tese, conseguir mais apoio para tocar a agenda reformista.

Dados econômicos também deram subsídio a esse patamar histórico, afirma Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management. “O principal motivo seria a volta do crescimento econômico. Tivemos um primeiro trimestre de 2017 com crescimento após trimestres negativos. O PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre deu mais base para dizermos com convicção que a economia está com uma retomada sólida”, afirma. “É o primeiro sinal positivo para a volta do crescimento dos lucros das empresas listadas na Bolsa.”

Apesar do recorde histórico, ainda há espaço para a bolsa crescer, de acordo com a consultoria Economática. Em seu maior patamar em dólares, registrado em 19 de maio de 2008, o Ibovespa atingiu 44.616 pontos. Ontem, ficou em torno de 24 mil pontos, o que significa que há um espaço de 20 mil pontos de valorização.

Além do fator local, um cenário mais favorável do exterior também colaborou para esse otimismo dos investidores. “A percepção de risco está caindo não só no Brasil, mas nos emergentes. Há uma diminuição da tensão envolvendo a Coreia do Norte, que não fez testes nucleares, como era temido. O furacão Irma está perdendo força nos EUA, o que diminui o estrago sobre a economia americana, e há uma agenda de indicadores na Europa e nos Estados Unidos que sustentam essa alta”, ressalta Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Ações - Das 59 ações do Ibovespa, 51 subiram, 5 caíram e três se mantiveram estáveis. As ações da Petrobras subiram cerca de 2%, ajudadas pela alta do petróleo no exterior. A estatal informou nesta segunda que iniciou processo para vender duas fábricas de fertilizantes.

Os papéis mais negociados da estatal avançaram 1,90%, para R$ 14,99. As ações que dão direito a voto ganharam 2,17%, para R$ 15,52.

As ações da Vale encerraram o dia no azul, com a alta dos preços do minério de ferro no exterior. Os papéis ordinários da empresa subiram 1,77%, para R$ 35,09. As ações preferenciais subiram 1,01%, para R$ 32,16.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco avançaram 1,69%. Os papéis preferenciais do Bradesco se valorizaram 3,85%. As ações ordinárias tiveram alta de 2,10%. O Banco do Brasil ganhou 3,58%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil fecharam com valorização de 1,68%.

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