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DC Auto

29/09/2017

A incessante busca pela velocidade e pelos recordes

Rogério Machado*
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Entre os veículos do início da motorização, uma charrete carrega uma história interessante: em 1886, Gottlieb Daimler foi até a empresa Wilhelm Wimpff & Sohn e encomendou uma charrete que seria um presente de aniversário para a sua esposa, Emma.

A novidade foi que, em lugar de comprar um cavalo, adaptou nela um motor de um cilindro com 0,46cc refrigerado a ar produzindo 1.1 hp a 650rpm. A charrete está lá, testemunhando a relação das carroças com os carros primitivos. Esses veículos a motor são chamados de “carruagens sem cavalos”.

Outro exemplar que marca um avanço da história é o Mercedes-Simplex 40hp, de 1902, desenhado pelo Wilhelm Maybach.

Simplex indicava que era um veículo simples de operar em comparação com os automóveis da época e esse carro é um divisor de águas entre os automóveis primitivos e os modernos.

Esse exemplar do museu foi vendido, em 1902, ao bilionário americano William K. Vanderbilt II e é o Mercedes mais antigo em existência. Utiliza um motor de 4 cilindros com 6.785cc.

Um exemplar de 1930, o Typ SS, também conta com uma história especial. Quando o carro foi apresentado no Salão de Paris, em 1930, foi adquirido por um marajá indiano ainda no estande de exposição.

Após o evento, o veículo retornou à fábrica para algumas adaptações. Entre elas, recebeu o volante do lado direito e, no capô, um farolete parecido com um “olho” logo a frente do para-brisa que servia para indicar aos súditos que o Marajá estava a bordo durante viagens no reino.

O carro permaneceu com baixa quilometragem, e com a carroceria em ótimo estado, até ser vendido para um australiano. Tempos depois, foi adquirido por um americano e, finalmente, voltou à posse da Mercedes-Benz.

Marketing das competições – A participação da marca nas pistas resultou em um automóvel quase lendário, que foi produzido em um único exemplar.

Durante a temporada de 1955, a Mercedes-Benz dominava as pistas com os 300SLR, que eram versões fechadas, com melhor tratamento aerodinâmico permitido pelo regulamento da época. Era praticamente um Fórmula 1 com carenagem, porém, com a cabine aberta.

Com os ótimos resultados, a equipe já preparava um modelo fechado para sucedê-los na próxima temporada e, pelos testes, já puderam prever que seria um sucesso.
Acontece que um acidente gravíssimo na etapa de Le Mans, em 1955, mudou completamente o destino da marca, que abandonou as pistas, retornando somente em 1989.

O protótipo que substituiria os 300SLR já estava pronto para ser reproduzido, porém, com a interrupção dos planos, o carro acabou sendo usado durante anos pelo famoso chefe do departamento de testes, Rudolf Uhlenhalt.

Esta história acabou dando nome ao carro, Uhlenhalt Coupe, e trata-se de uma das lendas exibidas pelo museu.

Por falar em 300SLR, a Mercedes construiu um veículo para transportar os carros de corrida que ficou conhecido como Blue Wonder, a Maravilha Azul.
Esse “caminhão” utilizava o mesmo motor e seguia o mesmo estilo dos 300SL. Sua velocidade final era de 170 km/h e chamava atenção onde quer que fosse utilizado.

 Acontece que, com a saída da marca das competições, o transporter ficou anos estocado, colocado em um armazém após o outro, até ser sucateado em 1967.

Vinte e sete anos depois, em 1994, o centro de restauração da marca decidiu construir outro exemplar, baseado nos projetos originais que ainda estavam no arquivo.
Foram sete anos até completar o trabalho e, desde 2001, ele se tornou novamente uma atração, enriquecendo os eventos e carregando a preciosa carga para a qual foi projetado.

Velocidade, sempre – Fechando o resumo da mostra, fomos conhecer os veículos com aerodinâmica especial. Eles eram utilizados em corridas ou para quebrar recordes de velocidade nos anos de 1937, 1938 e 1940.

O primeiro deles, o W-25 Avus, foi pilotado por Herrmann Lang, em 1937, com uma média horária de 262 Km/h em uma pista de corridas alemã.

O segundo é o veículo de recordes W-125. Com motor de 12 cilindros e pilotado por Rudolf Caracciola em uma autoestrad (entre Frankfurt e Darmstadt), atingiu 433 km/h, a maior velocidade registrada para um veículo em uma rodovia convencional. Recorde que permanece ativo até hoje.

Finalmente, o imenso T-80, projetado por Ferdinand Porsche para estabelecer um recorde mundial, em 1940. Usava um motor do avião Messerschmitt Me410, um V12 com 44,5 litros.

Tinha três eixos, dois atrás com tração. A guerra interrompeu os planos e o carro nunca correu.

Além destes veículos, o museu apresenta centenas de outros. Também fazem parte do acervo aviões, caminhões, ônibus e exemplares de todos os campos de atuação da Mercedes-Benz.

A região é belíssima e percorrer as estradas e museus nos lança em uma verdadeira viagem pelo tempo. Certamente, em poucas décadas, será necessário visitar estas verdadeiras catedrais automotivas para conhecermos o carro criado no século XX.

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