10/09/2011 - Vendas de carro usado registram crescimento

Crédito curto favorece segmento. LÍDIA REZENDE. ALISSON J. SILVA A recuperação do segmento de usados começou no ano passado, após os efeitos da crise internacional A recuperação do segmento de usados começou no ano passado, após os efeitos da crise internacional Este ano poderá registrar um dos melhores resultados da história para o segmento de vendas de veículos usados no Estado. De acordo com o presidente da Associação de Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Rodrigo Souki, as medidas restritivas ao crédito e ao consumo no país, que impactaram severamente a venda de automóveis novos, acabaram beneficiando o setor. A entidade, no entanto, não possui estimativas de crescimento de vendas para 2011. Segundo Souki, desde outubro do ano passado o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran) não tem divulgado os dados referentes à comercialização de veículos usados e seminovos, impossibilitando a realização de cálculos e previsões. "Mas posso dizer que será um dos melhores anos da história do setor", ressalta. Segundo ele, o crescimento verificado tem sido consistente desde 2010. "No ano passado foi iniciada a recuperação do segmento, após os efeitos da crise econômica mundial. Desde então, temos apresentado elevações constantes e gradativas todos os meses", explica. Além dos reflexos das medidas adotadas pelo governo, Souki destaca como um dos fatores principais para o bom desempenho da atividade a mudança de mentalidade da população com relação à compra de carros seminovos e usados. "O aumento da renda e o maior acesso ao crédito estão fazendo com que as pessoas analisem melhor seus investimentos. Elas estão mais conscientes de que o sonho do carro zero quilômetro nem sempre compensa porque eles se desvalorizam muito rapidamente. Um automóvel popular de 2008 revendido hoje chega a perder 45% do seu valor inicial", argumenta o presidente. Segundo o gerente de vendas da Pluscar, localizada na região de Venda Nova, na Capital, Ricardo Jesus Oliveira de Souza, a previsão é de incremento de aproximadamente 7% neste ano ante o exercício passado. "Como comprar veículos novos ficou mais difícil e caro, as pessoas estão mais atentas ao mercado de usados", avalia. O estabelecimento, que possui 150 unidades no pátio, vende mensalmente cerca de 70 automóveis com uma margem de lucro de aproximadamente 20%. "Conseguimos um preço mais em conta na aquisição dos veículos, o que nos permite ganhar margem na revenda. Um Gol 2006, por exemplo, é adquirido por R$ 17 mil e repassado, em média, por R$ 21,5 mil", afirma o gerente. A média de vendas mensais no ano passado era de cerca de 45 unidades, 55% a menos que o observado até agosto deste ano. ALISSON J. SILVA Na Pluscar, a expectativa é de aumento de 7% na comercialização de automóveis usados neste ano Na Pluscar, a expectativa é de aumento de 7% na comercialização de automóveis usados neste ano Efeito negativo - Nas concessionárias que trabalham tanto com automóveis novos quanto com seminovos a situação é diferente. Conforme o supervisor de vendas da Recreio BH Veículos, na região Oeste de Belo Horizonte, Rodrigo Sousa, a dificuldade impostas à venda de veículos zero quilômetro tem afetado negativamente a comercialização de automóveis usados. "Em razão da queda no volume de vendas de carros novos, as concessionárias estão fazendo muitas promoções, baixando preços e facilitando as condições de pagamento. Isso significa que também temos de baixar preços dos seminovos, senão acabamos concorrendo com os veículos novos da própria concessionária. Com isso, perdemos margem de lucro. Além disso, o cuidado para a negociação de novas unidades tem de ser redobrado. Não podemos correr o risco de adquirir veículos a preços um pouco mais altos, caso contrário não conseguiremos repassá-los a um preço satisfatório", esclarece. Atualmente, há 60 carros seminovos em estoque na concessionária, que no total equivalem a R$ 1,5 milhão. Segundo Souza, o lucro líqüido médio mensal chega a R$ 40 mil e o lucro bruto é de R$ 120 mil, sendo que praticamente metade deste montante é destinado ao pagamento de despesas. A previsão para o final deste exercício é atingir um lucro líqüido de R$ 500 mil, R$ 100 mil a menos que o registrado em 2010.