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26/07/2018

IDEIAS | Mãos enrugadas, porém ativas

Astrid Vieira*
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Foi-se o tempo em que a terceira idade se preocupava apenas com a novela da tarde ou em pegar um empréstimo consignado para realizar a viagem dos sonhos jamais feita em tempos de dedicação ao emprego. Pelo contrário, se no Século XX a rotina dos idosos foi ociosa, hoje o dinamismo e a experiência dessas pessoas acabaram se transformando em virtudes que os acresceram no mercado de trabalho.

Em resumo, a população mundial está envelhecendo e não quer deixar de trabalhar. Ao menos é o que apresentam dados do último Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento, feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o documento, no início dos anos 2000 eram 606 milhões de profissionais idosos em atividade. Esse mesmo relatório concluiu que em 2050 serão cerca de 2 bilhões de trabalhadores acima dos 60 anos.

Essa reformulação é mais visível em países menos desenvolvidos. O Brasil não fica de fora da lista. Por aqui, segundo o Ministério do Trabalho, entre 2010 e 2015 houve um aumento de 30% da população idosa ativa no mercado de trabalho. Respectivamente, eram pouco mais de 361 mil trabalhadores com idade acima de 65 anos, e em cinco anos esse número aumentou 58% e alcançou mais de 574 mil trabalhadores.

São muitos os motivos para explicar a permanência dessas pessoas em seus postos. A renda familiar sofre um massacre diário por uma inflação de 4,17%, conforme boletim Focus, e o dinheiro tem deixado de ser suficiente para arcar com todas as contas. E como existem contas! Gastos com despesas médicas, remédios, alimentação adequada e balanceada, transporte de qualidade – uma vez que o transporte público nem sempre é o ideal, apesar da gratuidade – e o por último, o lazer. Isso sem mencionar os gastos com o lar e o conforto em casa.

No entanto, as vantagens de se investir no desenvolvimento da carreira pós-corporativa de um profissional prestes a se aposentar, também vem sendo levada em consideração pelas corporações. Tais entidades podem e devem se beneficiar da habilidade de transmissão de conhecimento desse profissional e da difusão das práticas que possibilitam a continuidade dos negócios, apostando em sua experiência como uma marca para deixar os negócios mais competitivos.

Apesar da força de vontade para não parar, não é em qualquer lugar que pessoas mais velhas podem exercer suas funções da forma mais adequada. As vagas estão concentradas principalmente em empresas de administração, almoxarifado, comércio, instituições de ensino, transporte e administração pública. Locais nos quais o que mais conta é o esforço mental e o poder de decisão. Por outro lado, graças a uma questão laboral ou de esforço físico, indústrias, construtoras, telemarketing e segurança não são ideais.

Contudo, em um país com mais de 13,7 milhões de desempregados e um salário mínimo nada suficiente para a renda de uma família, não podemos desprezar as mãos enrugadas que ainda insistem em trabalhar. Cansadas ou não, é melhor tê-las ativas do que tê-las em filas de hospitais, em busca de uma falsa qualidade de vida, que jamais poderá ser adquirida com a falta de dinheiro no bolso.

* Diretora e consultora da empresa Leaders HR Consultants

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