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Opinião

26/07/2018

EDITORIAL | Dois segundos de democracia

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Será tolo quem se iludir ou tentar enxergar coisa diferente. Muitas das mazelas políticas que o País enfrenta presentemente decorreram das injunções criadas durante o chamado Estado Novo, de Getúlio Vargas, e, adiante, depois do saudável hiato representado por Juscelino Kubitschek, os vinte e poucos anos de ditadura, dita militar, mas, forçoso reconhecer, alimentada e sustentada por políticos e lideranças de poucos escrúpulos e muitas ambições. Gente que literalmente se apropriou do Estado brasileiro, que já não dá conta de sustentá-lo, até porque seu apetite se revelou grande demais.

Fato é que, depois de tantos anos de suposta redemocratização, não estamos fazendo muito diferente, no sentido de criar as condições reclamadas para a construção de uma sociedade mais próspera e socialmente mais equilibrada, a partir de um ambiente em que fosse possível melhor aproveitar as condições amplamente favoráveis que o País oferece. Nessas condições, é fato que já pertence aos domínios da história, ao mesmo tempo as melhores lideranças foram sepultadas e, na sua ausência, os piores hábitos cultivados. São os resultados que aí estão, à vista de todos.

Dessa realidade nos dá conta, de maneira até prosaica, a recente divulgação da distribuição, entre os partidos políticos que têm direito a esta suposta forma democrática de propaganda. E tudo isso, vale lembrar, uma herança, ainda viva, dos tempos da ditadura, em que se fingia democracia com a possibilidade de acesso à televisão e consequentemente à população. À época, e convenientemente, apenas retratos de candidatos propositadamente mudos. E na essência, passados tantos anos, nada mudou de verdade.

Consideradas as medidas e pesos que conferem às agremiações políticas o tão cobiçado espaço na televisão os resultados são risíveis. A mais forte das coligações, construída sabe-se lá exatamente à custa de que, terá pouco mais de três minutos diários para se apresentar, enquanto ao quarto colocado nesse ranking caberão apenas 28 segundos. Se for ágil, se souber falar rápido, poderá talvez repetir o desempenho do falecido Enéas, que também disputou a Presidência. E a sua não será a pior das situações. Por horas, treze candidatos, ou suas coligações, terão espaços que variarão, a partir da quinta posição, entre 19 segundos e 2 segundos para a última candidata, a senhora Vera Lúcia do PSTU. Nem o falecido Enéas daria conta.

Isso não é política, isso não é propaganda e, muito menos, espaço para apresentação de ideias e de debate. Apenas uma farsa absolutamente ridícula, herdade de um tempo em que a questão era exatamente esconder ideias e propostas, fingindo que se estava praticando a democracia.

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