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Economia

10/03/2018

Relatório mais completo pode revelar novo duto com mais contaminação

Reuters
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Barcarena, Pará - Um relatório mais completo sobre a possível contaminação na região de Barcarena (PA) com chumbo e resíduos do processamento de bauxita pela Hydro Alunorte está sendo preparado, e deverá trazer informações sobre um novo duto que teria vazado efluentes na área, afirmou um pesquisador que acompanha o caso.

As novas evidências sobre o vazamento de resíduos da Alunorte, maior produtora de alumina do mundo, serão publicadas na próxima semana, disse à Reuters o pesquisador em saúde pública Marcelo Lima, do Instituto Evandro Chagas (IEC), vinculado ao Ministério da Saúde, que acompanha o caso desde o início, em meados do mês passado.

O novo relatório pode sinalizar problemas adicionais para a companhia do grupo norueguês Norsk Hydro, que já foi obrigada a suspender metade de suas operações e entregas de seus produtos.

O IEC foi acionado pelo Ministério Público após alertas de moradores das comunidades Bom Futuro e Vila Nova sobre enxurrada de água vermelha que inundou ruas, casas e áreas de floresta amazônica, perto da Alunorte, após fortes chuvas.

Poços artesianos de localidades próximas da empresa também transbordaram, despertando temores sobre a qualidade da água, uma vez que no processamento da bauxita (matéria-prima da alumina) são usados produtos perigosos, como soda cáustica.

“Aquele relatório era uma resposta rápida para a sociedade porque a gente identificava um risco... Vamos fazer um segundo relatório, com base em análises químicas também, que vai falar um pouco mais da história, com novas evidências”, ponderou Lima.
Ele ressaltou que o relatório trará informações sobre outro duto que teria vazado efluentes. “Não era só o tubo lançando, o efluente tinha transbordado naquela área. Já temos evidências disso, estão bem claras”, comentou Lima, sem dar detalhes sobre relatório, ainda em elaboração.

Mesmo nos pontos onde o IEC não chegou a coletar amostras de água, por estarem mais afastados, a população está alarmada e reclama por não estar na lista de regiões que estão recebendo água potável da Alunorte.

O duto que teria vazado, segundo o pesquisador, transporta resíduos do beneficiamento da bauxita de um dos depósitos da empresa, o DRS1, o mais antigo, bem nas laterais da refinaria de alumina. Os efluentes, segundo Lima, também teriam entrado em contato com o meio ambiente.

A Hydro Alunorte afirmou que recebeu um relatório do órgão ambiental Ibama em 8 de março, referente à vistoria feita em 28 de fevereiro, informando que “foi constatado um vazamento lateral em uma das manilhas transportadoras do efluente originado do DRS1”. Entretanto, ressaltou a empresa, “o efluente permaneceu aprisionado na caixa de contenção que circundava as manilhas, não tendo contato com o meio ambiente”.

Comunidades - Um primeiro laudo publicado pelo IEC, em 22 de fevereiro, já havia apontado transbordamento de efluentes da companhia ao meio ambiente, após fortes chuvas atingirem a região em 16 e 17 de fevereiro, o que a empresa e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, responsável pelo licenciamento ambiental, negam.

Além disso, apontou que um duto de drenagem que conectava uma área interna da empresa, alagada com as chuvas, despejava efluentes ao meio ambiente. Nesse caso, a empresa admitiu, mas tem alegado que o tubo estava fora de operação e vazou poucas quantidades por rachaduras até então desconhecidas.

Segundo análises químicas do instituto já publicadas, o efluente não só vazou ao meio ambiente como encontrou comunidades locais pelo caminho, o que de acordo com Lima foi comprovado por análises laboratoriais dos materiais recolhidos a partir do dia 17 dentro da companhia e no caminho percorrido.

Chumbo - Na área alagada da empresa, logo após as chuvas, segundo o pesquisador do IEC, foi encontrado um elevado nível de turbidez, alcalinidade, PH bem alto, metais, e o padrão foi constatado ainda na saída do tubo de drenagem, assim como em um caminho até comunidades, “mostrando que efeitos foram evoluindo na sequência”.

Segundo Lima, outra evidência que o novo relatório irá apontar é que a empresa teria misturado resíduos de caldeiras, que contêm chumbo, aos resíduos do beneficiamento de bauxita. O chumbo foi um dos elementos encontrados nas amostras retiradas pelo IEC dentro da empresa e em seu caminho percorrido pelo ambiente.

“A Alunorte usa algumas caldeiras, essas caldeiras se movimentam usando carvão coque, isso gera o que a gente chama de cinzas, essas cinzas estavam sendo depositadas também no DRS1, a perícia já comprovou”, disse Lima.

O pesquisador do IEC também já descartou que os elementos encontrados nas análises laboratoriais sejam fruto de um lixão, muito próximo da empresa, que fica na comunidade Bom Futuro, tida como uma das mais afetadas. “(O lixão) está à jusante no nosso último ponto, ou seja, está abaixo, não está acima”, apontou Lima.

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