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Economia

10/03/2018

Tarifa nos EUA preocupa o setor industrial

Entidades e especialistas apontam que a medida é prejudicial à atividade metalúrgica no País
Leonardo Francia
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Siderurgia contabiliza cerca de 56,5 mil postos de trabalho em Minas Gerais, de acordo com estimativas da Fiemg/IABR/Divulgação
O decreto dos Estados Unidos que impôs tarifas de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre a de alumínio, assinado na quinta-feira pelo presidente estadunidense Donald Trump, deixou a indústria siderúrgica brasileira em polvorosa. Entidades que representam o setor e especialistas defendem que a medida é prejudicial à atividade metalúrgica e à economia mineira e nacional. Além disso, como a taxação entra em vigor em 15 dias (a partir da quinta-feira), também é estudada a entrada de recurso junto ao governo do país norte-americano para tentar reverter a situação.

Em nota, o Instituto Aço Brasil (IABr) afirmou que estuda, junto ao governo brasileiro, a entrada imediata de recurso junto ao governo americano. “O bloqueio das exportações brasileiras para o mercado americano - em sua quase totalidade composta de semi- acabados, que são reprocessados pelas indústrias siderúrgicas americanas, ocasionará dano significativo não só para as nossas empresas, mas também para as americanas que não tem autossuficiência no seu abastecimento”, destacou a entidade no documento.

O IABr lamentou, ainda, que, além de lidar com esta situação provocada pelo decreto estadunidense, a indústria nacional do aço também tem que sobreviver em um cenário de excesso de capacidade de produção de aço no mercado mundial da ordem de 750 milhões de toneladas ao ano.

O ex-presidente da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), Wilson Nélio Brumer, por sua vez, acredita que a medida dos Estados Unidos faz parte de uma “onda” de protecionismo em todo mundo. “Acredito que cada país vai fazer sua reavaliação para impedir ou taxar a entrada de produtos americanos”, disse.

Na avaliação de Brumer, o decreto representa um mercado que se fecha para a siderurgia nacional. “O problema da entrada de aço no País não é o aço propriamente dito, mas produtos com aço. Acho que, da mesma forma, o governo brasileiro deveria sobretaxar a entrada de produtos siderúrgicos dos Estados Unidos”, pontuou.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em nota, lamentou que “a medida ocorre em um momento em que a metalurgia brasileira esboça recuperação, após as intensas quedas registradas na produção industrial entre 2014 e 2017 (16,7% no Brasil e 10,9% em Minas Gerais)”.

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Empregos - Nas contas da Fiemg, a siderurgia contabiliza cerca de 56,5 mil empregos só em Minas Gerais, o que corresponde a 28% do total de postos de trabalhos do setor em todo o Brasil. Em 2017, segundo a entidade, as exportações de produtos metalúrgicos pelo Estado somaram US$ 5,3 bilhões. Desse total, 12,2% tiveram como destino o mercado norte-americano.

Assim como o IABr, a Fiemg reforçou que “80% das exportações da siderurgia brasileira para os Estados Unidos são de produtos semi-acabados, que servem de insumos para as próprias siderúrgicas americanas. A manutenção de uma tarifa de importação, tal como proposta, implicará no aumento de custos no mercado interno americano”.

Ainda de acordo com a Fiemg, em 2017, o segmento gerou 1,1 mil empregos em Minas Gerais e 2,4 mil no Brasil. Desde a semana passada, quando Donald Trump antecipou a medida, empresas do setor siderúrgico brasileiro, excluindo aquelas que têm plantas nos Estados Unidos, como a Gerdau, perderam 5,7% de valor de mercado, o que equivale a R$ 3,5 bilhões.

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