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Política

10/03/2018

Rejeição trava candidatura de Temer

Henrique Meirelles é o plano B do núcleo próximo ao presidente no Planalto
Reuters
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A rejeição superior a 70% em menos de dois anos de governo emperra plano de Temer/Ueslei Marcelino/Reuters
Brasília - Em meio ao cenário eleitoral nebuloso, o presidente Michel Temer, seus auxiliares e ministros mais próximos apostam numa candidatura ao Palácio do Planalto de defesa do legado reformista do governo em outubro, podendo ser ele próprio o postulante ou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mas a rejeição do chefe do Executivo emperra o plano, reconhecem interlocutores de Temer.

O caminho já foi definido: Temer será o candidato, se quiser, mas Meirelles é o plano B do núcleo próximo do presidente, diante dos movimentos de afastamento feitos pelo PSDB, do governador paulista, Geraldo Alckmin, e do DEM, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), outros dois postulantes ao Planalto que têm disputado o mesmo arco de apoios.

Fontes ouvidas pela Reuters já apostam em Meirelles, que, apesar de ter apenas 1% das intenções de voto nas últimas pesquisas, não traz consigo os mais de 70% de rejeição arrebanhados por Temer em menos de dois anos de governo.

Sem espaço em seu partido, o PSD, que não vê futuro em sua candidatura, Meirelles já admitiu estar conversando com o MDB. O presidente da sigla, senador Romero Jucá (RR), já lhe ofereceu legenda, mesmo que sem garantir a vaga de candidato a presidente. De acordo com uma fonte próxima ao ministro, Meirelles quer mudar.

“Não tem como garantir a legenda antes de o presidente se definir, isso não dá”, disse uma das fontes ligadas a Temer. Ainda de acordo com esta fonte, o presidente gostaria sim de ser candidato, apesar das negativas oficiais, e está cercado por uma “torcida” palaciana.

Contudo, a forte rejeição a Temer persiste - conforme pesquisas de opinião - mesmo depois de o governo ter apostado alto na mudança do discurso em defesa da reforma da Previdência, que não agradava ninguém, pelo investimento em segurança pública. Apesar de 70% aprovarem a intervenção federal na segurança no Rio de Janeiro, nada dessa positividade colou no presidente.

A falta de resultado desanima quem apostava em avanços mais concretos na popularidade até abril ou maio deste ano. As contas de fontes palacianas apontavam que, com uma aprovação de 15% e uma rejeição de 50%, Temer se tornaria viável eleitoralmente. “A rejeição é o grande problema. Nem é o numero de votos, é a rejeição. E não evolui isso”, analisa a fonte.

Quebra de sigilo - Temer ainda foi surpreendido nesta semana com a divulgação da decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quebra do seu sigilo bancário no chamado inquérito dos portos, que o investiga por suposto recebimento de propina para atender a interesses de um grupo empresarial na edição de um decreto ano passado que alterou regras para o setor portuário.

Uma fonte próxima a Temer admitiu que, no momento em o presidente estava ensaiando uma candidatura, levou uma “porrada” de Barroso.

Por seu lado, Meirelles é visto como o candidato possível, mas longe do ideal, mesmo estando melhor situado, neste momento, para representar o governo Temer nas urnas. “O Meirelles passou a ser um cara que pode ser o sucessor desse legado (do governo). A dificuldade é o aparelhamento dele para ser candidato. Ele não é um candidato bom”, avalia uma das fontes.

“Dá para construir o possível. É um cara experiente, um cara inteligente, mas não sabe se expressar direito. Nós não vamos trabalhar com o ideal, vamos trabalhar com o possível”, pondera.

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Um dos fatores que, embora não seja determinante, pode ajudar Meirelles é o fato de o ministro ter um grande patrimônio e poder arcar com boa parte do financiamento de sua própria campanha. Com a proibição das doações empresariais, isso abriria espaço nos recursos dos fundos partidário e eleitoral do MDB para postulantes a outros cargos.
“É bom, mas não é isso que vai decidir, não é um fator determinante. Agrega, mas não decide”, disse uma das fontes ligadas à legenda.

Meirelles tem dito que gostaria de ser candidato, mas ainda empurra a definição para o início de abril, quando, se quiser realmente disputar a eleição, terá que deixar o governo. No entanto, segundo fontes próximas ao ministro, ele já conversou com Temer e ouviu a promessa de que poderá vir a ser sim o candidato do governo.
Ainda assim, admite uma fonte emedebista que conversa com Meirelles, o ministro pode vir a dar “um salto no escuro” e acabar ficando sem candidatura se Temer se viabilizar. “Aí ele pode ser um vice. O partido não vai ter tantas coligações assim para escolher”, analisa a fonte.

As outras opções para o governo, como um apoio a Alckmin ou a Maia, são hoje hipóteses bem mais distantes. No momento, por exemplo, não há diálogo nenhum com o tucano, disse uma das fontes.

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