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Opinião

10/03/2018

Editorial

Reagir ou sucumbir
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A falência do aparato de segurança pública no Rio de Janeiro ultrapassou, faz tempo, o limite do aceitável, impondo uma reação que tardou. A intervenção federal, decretada há pouco mais de quinze dias, era a um só tempo previsível e necessária, considerada a situação específica e, mais amplamente, a situação próxima do colapso enfrentada por toda a administração pública no estado vizinho.

Transformar o assunto em pauta política é algo que beira ao desatino, seja da parte da situação, em que o próprio presidente da República enxergou em sua determinação algo que definiu como “golpe de mestre”, seja da oposição, que prefere enxergar apenas mais um golpe, usando o artifício de apontá-lo também como uma forma de agressão aos pobres e desassistidos. Quem minimamente conhece a situação no Rio de Janeiro, quem concorda que nas áreas mais pobres a presença do Estado foi substituída por organizações criminosas e milícias que exercem seu poder sem qualquer disfarce, há de entender onde estão as vítimas. Assim como, por elementar, não podem ignorar ou minimizar os riscos a que toda a população está exposta.

Da mesma forma não se pode desconhecer que o próprio governador carioca reconhece a virtual falência do aparato policial local, submetido a mazelas que já foram suficientemente descritas e não precisam ser repetidas. A rigor, uma situação de guerra aberta ainda que não declarada, numa situação de desproporção de forças em que a convocação de tropas militares passou a ser impositiva, assim como a intervenção. É preciso reagir e faz todo sentido a observação de um dos generais envolvidos nessas operações, para quem um indivíduo armado com um fuzil de grande poder de fogo obrigatoriamente tem que ser tratado – e combatido - como inimigo.

Nessas condições, e independentemente de quem delas ainda pretende tirar proveito, era de se esperar convergência e mobilização da sociedade e dos setores públicos para que não se perca a oportunidade de vencer, ao mesmo tempo, a marginalidade, a desconfiança e o desanimo, numa atitude que evidentemente em primeiro lugar tem que ser de proteção – ou libertação na verdade – das comunidades que vivem sem qualquer disfarce sob o jugo da criminalidade. Trata-se de restaurar princípios sem os quais a vida em sociedade deixa de ser possível, trata-se de conter a criminalidade que no Rio de Janeiro é mais visível e, ao mesmo tempo, de impedir que a mesma situação se reproduza com igual violência e intensidade em outros pontos do país.

A compreensão dessa realidade é fundamental para que haja aglutinação e não dispersão, na compreensão mínima de que todos, em todos os lugares, são vítimas potenciais, da mesma forma que somos todos responsáveis pela restauração dos princípios que sustentam a vida em sociedade.

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