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Economia

27/10/2017

Lucro líquido da Vale cresce quase quatro vezes e atinge R$ 7,14 bilhões

Reuters
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Rio e São Paulo - A mineradora Vale teve lucro líquido no terceiro trimestre quase quatro vezes superior ao registrado no mesmo período de 2016, devido a melhorias na realização de preços de minério de ferro, e prevê elevar a produção da commodity em 2018, com expectativa de mercado firme.

O lucro líquido entre julho e setembro foi de R$ 7,14 bilhões no terceiro trimestre, ou US$ 2,23 bilhões, levemente abaixo do consenso de estimativas compiladas pela Thomson Reuters, de US$ 2,439 bilhões.

O desempenho da mineradora só não foi melhor no terceiro trimestre porque os preços de minério de ferro se enfraqueceram ao final do período, segundo afirmou o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, em teleconferência com analistas.

Para o quarto trimestre, o executivo prevê um bom resultado, apesar da sazonalidade, tendo em vista os esforços da empresa para reduzir custos e alavancar retornos. A previsão, segundo ele, foi feita considerando o cenário de preços atual.

“Obviamente o quarto trimestre é um trimestre sazonalmente mais fraco do que o terceiro, principalmente em termos de preço. No entanto, posso assegurar aos senhores que a nossa expectativa, nestas condições, é apresentar resultados na média auferida pela Vale até este momento no ano”, disse Schvartsman.

Os três últimos meses do ano deverão ter ainda a ajuda dos recursos de Project Finance do corredor logístico de Nacala, em Moçambique, de mais de US$ 2 bilhões, que permitirão à companhia atingir em 2017 dívida líquida entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões , ante os US$ 21,07 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 13,25 bilhões, no terceiro trimestre, alta de 37,5% ante o mesmo trimestre do ano passado, com aumento nas vendas de minério de ferro, principal produto da companhia.
A comercialização de minério de ferro (finos) da companhia, maior produtora global da commodity, atingiu 76,4 milhões de toneladas, ante 74,2 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, com vendas a preços mais altos.

O preço de referência de finos de minério de ferro fechou o terceiro trimestre em US$ 76,10 por tonelada, alta de quase 30% na comparação anual.

Assim, a Vale registrou receita operacional líquida de R$ 28,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 31% na comparação anual.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que a Vale está melhorando os resultados, mas observou que eles vieram levemente abaixo das expectativas da instituição, que, admitiu o banco, “estavam altas”.

O Ebitda em dólares foi de US$ 4,192 bilhões, 9% abaixo do esperado pelo BTG e entre 3,5% e 4% abaixo do consenso de analistas.

“Atribuímos isso a uma série de fatores: embarques de minério de ferro ligeiramente inferiores (-8% abaixo), baixas realizações de preços de pelotas (-8%), menor Ebitda de metais básicos (-20% com desempenho decepcionante no níquel) e menor Ebitda de carvão...”, analisou o BTG.

Projeção - Os preços do minério de ferro devem ficar acima dos US$ 65 por tonelada no próximo ano, quando a empresa prevê produzir um total de 390 milhões de toneladas, na avaliação do diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão, Peter Poppinga.

O volume será um avanço ante a estimativa de produção para este ano, que deverá ficar próxima ao limite inferior da faixa projetada de 360 milhões a 380 milhões de toneladas.

“A gente tem dito frequentemente que nosso ‘base case’ não será ainda em 2018, mas vai ser em 2019, de a gente chegar em 400 milhões de toneladas. Portanto, 2018 deve beirar os 390 (milhões de toneladas)”, disse Poppinga, destacando que grande parte da oferta nova da commodity no mundo será da Vale.

Na parte da oferta de minério no mercado transoceânico, Poppinga afirmou que há um decréscimo dos volumes novos conforme os anos estão passando. Segundo ele, em 2018, é esperada uma oferta nova de 50 milhões de toneladas, ante 115 milhões em 2016, por exemplo.

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