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27/10/2017

Nuvens negras sobre o Japão colocam em dúvida a qualidade

Rogério Machado, de Tóquio (Japão)*
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A caminho do salão do automóvel, aproveito o trajeto entre Kyoto e Tóquio para me inteirar das últimas notícias daqui.

Os cinco últimos anos têm marcado o planeta por escândalos ligados à qualidade de produtos, principalmente no que se refere à segurança e poluição, os carros-chefe da regulamentação automotiva.

A indústria europeia, com destaque para a alemã, ficou nas manchetes um bom tempo e o oriente produz novas notícias ruins através do Japão.

Curiosamente, Japão e Alemanha ocupam posição de destaque em assuntos de qualidade de produtos, o que torna essas notícias mais preocupantes. Se estes, que são considerados os melhores, estão assim, o que poderíamos pensar do resto?
Dessa vez, os “maus feitos” se voltaram para a indústria do aço, especificamente sobre um megaprodutor de matérias-primas siderúrgicas, a Kobe Steel.

Acontece que a empresa fornece materiais como alumínio, aço e cobre para o mercado internacional e é considerada uma referência em padrões de qualidade.

Boeing, General Motors e Ford estão na lista de clientes que incluem, também, fabricantes de trens, inclusive os de alta velocidade aqui do Japão.

A preocupação das empresas americanas citadas se traduziu em uma verificação imediata dos produtos que utilizam aqueles materiais da empresa japonesa.

Pelo que já foi tornado público, até agora, alguns funcionários responsáveis pela certificação de materiais usados na produção do alumínio e do cobre teriam adulterado os laudos relativos aos mesmos.

Ou seja, o material resultante teria tido suas propriedades comprometidas, não se sabendo, portanto, até que ponto isto está sendo investigado.

A Kobe Steel já se manifestou após análises iniciais e, curiosamente, atribuiu a falha ao fator humano. Conclui-se que sistema foi, literalmente, enganado por inspetores devido à falta de métodos computadorizados automáticos que poderiam detectar a fraude.

Isto nos leva a crer que, no futuro, os robôs serão a alternativa mais confiável.

Os fabricantes de veículos japoneses são os maiores consumidores desses materiais adulterados e as análises buscam, agora, determinar se as alterações na matéria-prima provocaram alguma perda de resistência que possa trazer risco ao uso.

Nissan – Nem bem a poeira da Kobe Steel havia se espalhado pelo ar, outra grande empresa japonesa, a Nissan, anunciou (nó último dia 19) a suspensão da produção de veículos para o mercado doméstico.

Outra vez, o assunto recai sobre funcionários da área de qualidade, responsáveis por algumas verificações importantes na liberação final de veículos para as concessionárias.
Para refazer estes controles, a fabricante japonesa inspecionará 1,2 milhão de veículos produzidos desde 2014, o que representa, praticamente, o equivalente à sua produção anual.  

Hiroto Saikawa, o atual CEO da Nissan, anunciou à imprensa que o recall custará US$ 222 milhões e que, embora a verificação seja necessária, a qualidade e as funções do produto não irão comprometer os usuários.

Como as investigações estão em curso, somente o tempo dirá.

*Colaborador

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