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Finanças

19/05/2017

Empresas listadas perdem R$ 219 bi em valor

Principal índice acionário do País caiu 8,8% e circuit breaker foi acionado pela primeira em 9 anos
FP/AE/Reuters
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São Paulo - O conteúdo explosivo da delação do empresário Joesley Batista comprometendo o presidente Michel Temer teve efeitos drásticos sobre o mercado de ações, que viu ressurgir a figura do circuit breaker, mecanismo de defesa da bolsa contra oscilações demasiadamente bruscas. Logo no início dos negócios, uma onda de operações de zeragem de posições levou o Índice Bovespa a cair até 10,70%, levando à interrupção das operações por 30 minutos. Ontem, as empresas listadas na bolsa perderam R$ 219 bilhões em valor de mercado.

Com o fim das correções de emergência, a queda se desacelerou e o Ibovespa terminou o dia aos 61.597,05 pontos, em queda de 5.943,20 pontos. O resultado representou perda percentual de 8,8%, a maior em um único dia desde 22 de outubro de 2008, última vez em que o circuit breaker havia sido acionado. O volume de negócios somou R$ 24,8 bilhões, o triplo da média diária de maio.

O Ibovespa recuou de uma queda de 9% para em torno de 7% com a intensificação das especulações que davam como certa a renúncia do presidente após a denúncia de apoio à compra do sigilo do ex-deputado Eduardo Cunha. Em um discurso iniciado pouco depois das 16h, o presidente adotou um tom de indignação ao combater as acusações. Disse que não renunciaria, que não comprou o silêncio de ninguém e que não precisa de foro privilegiado. Ainda qualificou os áudios da delação como “clandestinas”. Encerrado o depoimento, o índice voltou a acelerar as perdas.

“O grande problema é que não temos ideia do que vai acontecer daqui em diante. É um problema sério, que pode causar uma brutal destruição de valor das companhias brasileiras”, disse Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

As quedas foram generalizadas na bolsa, só poupando ações de empresas exportadoras, que refletiram a alta de 8,07% do dólar ante o real. Fibria ON (+11,48%) e Suzano PNA (+9,86%) foram as principais altas do Ibovespa. Vale ON e PNA subiram 0,07% e 0,39%, respectivamente, também refletindo a alta do dólar.

As ações de empresas estatais, que refletem em grande parte o risco político, se destacaram em queda. Banco do Brasil ON caiu 19,91%, enquanto Eletrobras ON perdeu 20,97%. As ações da Petrobras perderam 11,37% (ON) e 15,76% (PN). Já a mineira Cemig perdeu 20,43% (PN)

Com o resultado, o Ibovespa anulou todos os ganhos de maio e passa a contabilizar perda de 5,82% em maio e uma alta de 2,27% em 2017.

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Valor - O valor de mercado das empresas listadas na bolsa paulista diminuiu em R$ 219 bilhões ontem. Consideradas apenas as empresas do Ibovespa, índice de referência da B3, perdeu R$ 195,8 bilhões  em valor de mercado, segundo a Economatica.

A Petrobras registrou a maior perda em valor de mercado, com R$ 27,4 bilhões. A segunda maior perda em valor de mercado no pregão foi Itaú Unibanco, de R$ 26,7 bilhões.

Juros - A instabilidade também afetou o mercado de juros. Os contratos mais negociados passaram a prever queda menor da taxa de juros na próxima reunião do Copom, no final de maio.

Antes da crise que atingiu o governo, o mercado trabalhava com um corte de 1,25 ponto a 1,50 ponto. Agora, passa a ver uma queda menor na taxa Selic, de apenas 0,75 ponto, o que levaria o juro básico a 10,50%.

“Todo mundo apostava em juros para baixo. Agora, não sei se vai ter corte de juros nesta reunião ou se o BC vai esperar o cenário se definir”, avalia Lucas Marins, analista da Ativa Investimentos.

O contrato de juros futuros mais negociado, com vencimento em julho de 2017, subiu de 10,361% para 10,8%.

O contrato com vencimento em janeiro de 2018, que indica a perspectiva para a Selic no final deste ano, avançou de 8,75% para 10,75%.

O risco Brasil medido pelo CDS (credit default swap) tinha alta de 29,03%, para 265,9 pontos.

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