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Opinião

19/05/2017

Editorial

Um ciclo que chegou ao fim
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O sistema político brasileiro parece ter submergido diante do oceano de corrupção cuja existência foi anotada por um magistrado próximo das investigações em andamento. Os fatos que vieram a púbico na última quarta-feira, a partir de denúncias de um empresário e das investigações consequentes, reforçam esta impressão, justificando o clima de velório que, segundo testemunhas, teria tomado conta do Palácio do Planalto. A ideia de que o deputado Eduardo Cunha possa ter continuado a receber propinas mesmo depois de preso, expediente que teria sido avalizado pelo presidente da República, com certeza supera tudo que até aqui se poderia imaginar sobre as proporções da corrupção no País e sustenta a tese, já abertamente defendida, de que o governo Temer acabou.

O importante agora, na avaliação dos observadores mais experientes, é assegurar, uma vez definitivamente comprovadas as denúncias que vieram a lume na quarta-feira, que o processo seja afinal estancado e a transição ocorra com agilidade, conduzida estritamente dentro dos parâmetros estabelecidos na Constituição. Não será tarefa fácil, é sabido, dado o nível de contaminação do sistema político, onde a regra certamente não é a virtude.

Igualmente importante - na realidade essencial - é blindar a economia, por enquanto em linha com os movimentos já ensaiados pelas autoridades monetárias, para impedir um desastre de proporções ainda maiores justamente no momento em que se comemoravam os primeiros sinais de recuperação. É preciso, é fundamental, em síntese, que as vozes mais equilibradas finalmente se façam ouvir, calando os oportunistas que como sempre procurarão não perder tempo. E que a maioria silenciosa afinal tenha vez, ajudando a restaurar o equilíbrio, o bom senso e as virtudes que nos fazem tanta falta. Um ciclo parece bem próximo de chegar ao fim e é preciso acreditar que outro melhor terá início.

E sem ilusões, cabe aos bons cidadãos trabalhar para isso. O presidente da República, chefe do Executivo, perdeu condições para permanecer no posto, situação que não é muito diferente daquela exibida pelos presidentes da Câmara e do Senado, ambos sob investigação. A linha sucessória aponta então na direção da presidente do Supremo Tribunal Federal, a mineira Cármen Lúcia, assim colocada no centro das atenções e alguém que tem qualidades para conduzir a transição. Ainda no calor dos acontecimentos e em meio a incertezas que configuram uma das mais graves crises políticas enfrentadas pelo País, o grau de incertezas continua sendo extremamente elevado, quem sabe indicando a ruptura e, esperamos, para um recomeço melhor.

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