23/10/2015 - Editorial

Uma discussão bastante antiga volta à tona. Estamos falando das operações comerciais no Aeroporto da Pampulha, hoje utilizado em pouco mais de um quarto de sua capacidade, restrita à aviação executiva. A ideia que permanece de pé e foi debatida esta semana em audiência pública na Câmara Municipal, é abrir novos espaços para voos comerciais, seja para melhor atendimento à aviação regional, seja para garantir ligação mais rápida com São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, num movimento também defendido pela Prefeitura de Belo Horizonte e governo do Estado, com adesão da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Esta é uma daquelas ideias que fazem sentido. Existe na Pampulha uma infraestrutura que deve ser melhor aproveitada, o que pode perfeitamente ser feito sem riscos à segurança seja de passageiros, seja de moradores do entorno. Sem ameaças também a Confins, o aeroporto metropolitano, que para alguns poderia ser esvaziado. Com planejamento e bom senso, atributos um tanto escassos ultimamente, tudo poderia ser bem resolvido e em nome do melhor interesse, exatamente como está propondo a Câmara Municipal. O que não faz mesmo sentido é que o Aeroporto da Pampulha prossiga ocioso e que aos passageiros seja retirada a possibilidade de escolher uma alternativa mais confortável e funcional, mesmo que tenha que pagar mais, à semelhança do que acontece em muitos aeroportos urbanos espalhados pelo mundo. A opção é naturalmente seletiva, destinada a quem tem pressa e em deslocamentos mais curtos, com aeronaves menores. Tudo está previsto e se as mudanças em discussão forem bem executadas é evidente que redundarão em benefícios para todas as partes, favorecendo a tão discutida mobilidade, especialmente para executivos e empresários, passageiros frequentes. E sem espaço para abusos que venham a prejudicar moradores da vizinhança do aeroporto, com limitações tanto para a quantidade quanto para o horário de voos, à semelhança do que já se faz no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Cuidados e precauções são também necessários no que diz respeito às condições de operação, possivelmente demandando renovação e modernização dos equipamentos de suporte à navegação aérea e à aproximação de aeronaves, num horizonte em que também as condições da estação de passageiros serão reavaliadas. Seguidos estes passos a reativação do Aeroporto da Pampulha significa devolver à cidade de Belo Horizonte um equipamento relevante para sua conexão com o resto do País, facilitando negócios e o turismo, sem demandar novos e grandes investimentos. Faz mesmo sentido e é nessa direção que o bom senso aponta.