Publicidade
18/10/2017
Login
Entrar

»

Economia

12/10/2007

Shoppings populares sofisticam ilegalidade

Email
A-   A+

Disputa desleal afeta economia .

A concorrência com o comércio ilegal - antes centrada na figura do camelô - hoje tem como foco os shoppings populares e continua sendo uma das principais preocupações dos empresários do setor, segundo o gerente da Divisão de Pesquisas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o economista Fernando Sasso. "Com os shoppings, a disputa de mercado ficou mais sofisticada", frisou.

Em 2004 a transferência dos camelôs das ruas do centro da capital mineira para os shoppings populares começou a ser feita pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), sendo concluído no começo do ano passado. "O centro de compra popular é uma questão complexa, é uma quase formalização que bate em determinadas questões legais, como a pirataria e o contrabando", observou.

De acordo com ele, os produtos ilegais prejudicam não só os comerciantes estabelecidos formalmente, bem como, a indústria. "Tais artigos não beneficiam a sociedade como um todo. Afinal, estes produtos não geram impostos e não criam empregos", disse.

Sasso salientou que a disputa de mercado com o comércio de produtos ilegais se torna mais evidente nas datas comemorativas, que acabam estimulando as vendas do segmento, mas é um problema diário enfrentado pelos lojistas. " uma disputa ilegal. Afinal, o empresário formal paga os impostos. Já os comerciantes que vivem do mercado informal, como não são onerados pelos tributos, podem vender os produtos mais baratos. Dessa forma, podem comercializar, ganhar mais", analisou.

Ele destacou que os empregos criados através da comercialização de produtos ilegais não são de qualidade, assim como a atividade. "São empregos que não oferecem os benefícios da carteira assinada, como férias e 13º salário. São vagas informais", frisou.

A chefe do Departamento de Economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Silvânia de Araújo, salientou que os produtos fruto de contrabando e pirataria são mais baratos, o que acaba constituindo o seu principal atrativo. "Só que esta precificação é artificial, pois tais produtos não pagam impostos. Dessa forma, a concorrência é desleal. Afinal, o empresário estabelecido de forma legal tem que arcar com todos os impostos e tributos, que são altos", disse.

A carga tributária brasileira confirma a afirmação da economista, já que representa atualmente cerca de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é a maior da história. No ano passado, a carga tributária foi equivalente a 34,23% do PIB, contra 33,38% de 2005. E a previsão é que não deva cair tão cedo, já que a proposta orçamentária encaminhada pelo governo federal ao Congresso para 2008 prevê elevação da carga tributária de pelo menos 0,55% do PIB, o que equivale a R$ 15,1 bilhões. O governo só planeja o início da redução da carga tributária em 2011.

De acordo com pesquisa de 2006 - ano em que foi concluída a transferência dos camelôs para os shoppings populares - da Fecomércio Minas, a concorrência com centros de consumo populares foi apontada por 16% dos lojistas entrevistados como um dos fatores que mais prejudicam as vendas.

JULIANA GONTIJO


Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

05/06/2016
Petistas que ainda assolam o BNB
A investigação do Ministério Público do Ceará (MP-CE) sobre suposto esquema de fraudes de até R$ 683,4 milhões em empréstimos e...
30/05/2016
MP contesta creditos Escândalo no Banco do Nordeste BNB
Investigação do Ministério Público do Ceará (MP-CE) em curso aponta suposto esquema de fraudes de até R$ 683,4 milhões em empréstimos e...
19/10/2013
Empresa vai criar grife de vestuário
São Paulo - A marca Havaianas, uma das grifes da Alpargatas, vai virar grife de vestuário a partir do segundo semestre do ano que vem. Uma equipe de 20 criadores já foi contratada pela...
19/10/2013
Havaianas: nova fábrica aumenta em 40% a capacidade de produção
A capacidade de produção anual das sandálias Havaianas vai ser ampliada em 40% com a entrada em operação, na sexta-feira, da fábrica da Alpargatas em Montes Claros, no Norte de Minas,...
19/10/2013
Estímulo ao consumo é fator de inadimplência
Brasília - Para o economista Luiz Rabi, da empresa de consultoria Serasa Experian, a disponibilidade de mais crédito no mercado não é um problema, como consideram os parlamentares, que...
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.