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Publicada em 09-02-2010

Mineração Riacho dos Machados deverá iniciar brevemente a exploração das reservas.

LUIZ CIRIBELLI.

DIVULGAÇÃO/VALE
A Vale possui minério com alto de teor; negociação pode culminar em reajuste de 40% no benchmark
A Vale possui minério com alto de teor; negociação pode culminar em reajuste de 40% no benchmark

A Mineração Riacho dos Machados, subsidiária da canadense Carpathian Gold Inc, deve iniciar as operações de exploração das reservas de ouro e minério de ferro no município de Riacho dos Machados, a 140 quilômetros de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, no segundo semestre de 2010. A informação é do diretor de Meio Ambiente e Relações Institucionais, Ruy Souza Heinisch. O investimento previsto é da ordem de R$ 250 milhões e cerca de 600 hectares de terra deverão ser explorados.

A empresa já realizou perfuração de 22 quilômetros de profundidade. Foram coletadas amostras dos materiais e a análise revelou que as reservas estão estimadas em 19 milhões de toneladas de minério, com 15 milhões de toneladas lavráveis. A concentração de ouro é de quase 3 gramas por tonelada, o que vai possibilitar uma produção anual de 100 mil onças ou três toneladas de ouro por ano. Com as reservas encontradas até o momento, a exploração deverá se estender por cerca de dez anos, considerando as minas a céu aberto e subterrâneas.

De acordo com Heinisch, a empresa encontra-se em fase de estudos de viabilidade e também aguarda as liberações ambientais para começar a operar. Segundo o diretor, a licença prévia deve ser liberada até o fim deste mês pela Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas (Supram Norte). As demais licenças ambientais (instalação e operação) devem ser liberadas em abril e no fim do primeiro semestre, respectivamente.

"Até o fim de fevereiro deve acontecer a liberação da licença prévia. Enquanto isso, estamos elaborando nosso programa de controle ambiental, que deve ser finalizado junto com a liberação. Ele tem por objetivo atenuar os impactos ao meio ambiente causados pelo empreendimento", afirmou Heinisch.


Financiamento - Conforme Heinisch, a Mineração Riacho dos Machados também encontra-se em fase de negociação para captar financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Os processos acontecem de maneira simultânea. A liberação dos recursos pelo BNDES depende da licensa prévia", disse. De acordo com ele, a empresa também está negociando com cinco proprietários de terras que moram na região que vai ser afetada pelo empreendimento.

"Estamos em fase de negociação com os proprietários de parte da terra. Há uma empresa especializada que está fazendo o levantamento dos valores da terra e das benfeitorias. Trata-se de uma região de cerrado e com uma área cultivável muito pequena, onde pratica-se a agricultura de subsistência. A empresa tem compromisso ético e necessitamos ser justos com essas famílias", argumentou o diretor.

Heinisch avalia que 380 empregos diretos deverão ser gerados em um uma região com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O município fica da 559 quilômetros distante da Capital e possui 10 mil habitantes. Cerca de 70% da população reside na área rural do município. "Existe também uma preocupação por parte da Riacho dos Machados em associar treinamento e plano de educação para os empregados. Precisamos formar cidadãos preparados para bem executar o trabalho", observou.

Conforme publicado anteriormente, a jazida onde será explorado o ouro pertenceu à Vale S/A até 1997, que em virtude da queda no preço nominal na época, que teria inviabilizado os negócios, optou por desativar a mina. A liberação por parte do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para exploração das revervas impediu que as operações fossem iniciadas antes.

Em meio à crise financeira, as mineradoras de ouro registraram elevação no preço do mercado, pois com a falta de liquidez, a commodity foi apontada como o investimento mais seguro. Em virtude deste cenário, o preço do mineral passou por significativa elevação devido à demanda em alta.

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