Publicada em 30-06-2012
O noticiário econômico da semana assinalou, com destaque, o anúncio do reajuste de preços de derivados de petróleo e, simultaneamente, reações atribuídas a investidores. Estes, conforme relatos amplamente difundidos, estariam "frustrados" porque consideraram o reajuste pequeno demais e tardio. Um sentimento que a própria presidente da Petrobras, Graça Foster, ajudou a difundir ao divulgar o novo plano de negócios da empresa, com objetivos classificados como mais realistas e que na prática informam que as metas de produção para 2015 não serão cumpridas. Disse também, ao comentar o reajuste de 7,83% para a gasolina e de 3,84% para o óleo diesel, que o plano aprovado pressupõe paridade com os preços internacionais, alimentando assim a corrente que enxerga a Petrobras utilizada como instrumento da política de controle da inflação.
Esta polêmica que, conforme já foi dito e repetido neste mesmo espaço, nos parece destituída de sentido precisa ser esclarecida de uma vez por todas. De que paridade afinal está falando Graça Foster? sabido e suficientemente claro que as cotações internacionais do petróleo não obedecem diretamente à lógica do mercado. Eles são manipulados e este é um fato histórico, uma verdade que não pode ser desconhecida quando o país - e não a Petrobras - define suas políticas para o setor, entendendo sim e claramente, sem quaisquer subterfúgios, que a estatal foi erguida para ser instrumento dessas políticas. A empresa, é evidente, tem que gerar resultados, mas a melhor medida de seu sucesso não será necessariamente o desempenho de suas ações, da mesma forma que não será despropositado imaginar que parte de seus investimentos seja bancada pelo Estado.
São questões estratégicas e da mais alta relevância, sendo falso o dilema de que ela precisa e deve gerar resultados a qualquer custo para satisfazer seus acionistas. E muito menos que sua política de preços deva flutuar ao sabor da especulação internacional ou dos movimentos políticos induzidos por interesses que certamente não são os mesmos da Petrobras. Esta é a questão de fundo e que necessariamente remete aos esforços que o país realizou para livrar-se da dependência do petróleo importado, vale dizer, da ditadura dos fornecedores, dependência indiretamente confirmada quando se anuncia que os preços praticados internamente devem ter paridade com as cotações internacionais.
Este é um falso dilema e que poderá ser desmontado a partir do momento em que se anunciar quanto custa à estatal extrair e processar cada barril de petróleo e por quanto, na ponta final do consumo, este mesmo barril é vendido. Um preço final que deve embutir margens adequadas e necessidade de investimentos, ainda assim podendo passar bem longe da "paridade" que é irmã gêmea da manipulação que fez a fortuna da indústria petrolífera mundial e nada tem a ver com os interesses que nos compete defender.
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