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Publicada em 02-09-2010

Para agência, notas refletem "perfil conservador, com forte liquidez e medidas de crédito satisfatórias".

LUCIANE LISBOA

DIVULGAÇÃO
A meta da Cemig é alcançar 20% de participação nos mercados em que atua
A meta da Cemig é alcançar 20% de participação nos mercados em que atua

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou ontem comunicado, através da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), informando que a agência de classificação de risco Fitch elevou os ratings da empresa e de suas subsidiárias Cemig Distribuição (Cemig D) e Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT) de "A " para "AA", dando destaque ao rating nacional de longo prazo de cada companhia.

De acordo com a agência, a elevação das notas "reflete o perfil conservador do grupo, com forte liquidez e medidas de crédito satisfatórias, mesmo após o desafio de realizar relevantes aquisições nos últimos dois anos".

Além disso, o bom desempenho do setor elétrico durante a crise econômica, somado à percepção da Fitch com relação ao menor risco regulatório do segmento, favoreceu a análise da companhia.

Na avaliação, a Fitch afirma que "os ratings refletem o risco consolidado do grupo, baseando-se na qualidade de crédito da Cemig como empresa integrada de energia, com forte posição em ativos de geração, transmissão e distribuição".

Para a analista de mercado especialista em energia da corretora SLW, Rosângela Ribeiro, o que a Fitch fez foi melhorar a nota geral da Cemig no mercado, o que aconteceu num momento em que a empresa vinha sendo questionada sobre o fato de ter ultrapassado a meta de endividamento estipulada pelo estatuto.

"A Fitch avaliou diversos itens, entre eles liquidez e capacidade de endividamento. Mas a melhora da nota não garante que a rentabilidade da empresa irá subir. Mas com certeza dá mais segurança aos investidores", explicou a analista.

De acordo com a análise da Fitch, os ratings da companhia poderão ser negativamente afetados caso a Cemig não consiga conciliar crescimento orgânico e nível de endividamento.

Por outro lado, pode ocorrer um novo upgrade caso haja redução da alavancagem do grupo, propiciada pelo maior nível de geração operacional de caixa.

Segundo o economista e sócio-gestor da DLM Invista, Luiz Iani, esta nova pontuação dada à Cemig pela Fitch é positiva principalmente porque a empresa pretende continuar realizando novos investimentos e aquisições neste ano. "Desde o ano passado a Cemig vem demonstrando um grande apetite por novos ativos no mercado", afirmou.


Estatuto - No final de junho, os acionistas da estatal aprovaram a alteração no estatuto social da companhia, o que possibilita elevar o limite de recursos que podem ser destinados aos investimentos e a aquisições de ativos neste ano.

O permitido pelo estatuto é a utilização de até 40% do Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para investimentos e aquisições. Com a alteração, o limite passará para 90% do Lajida.

Conforme a empresa, o indicador em 2010 deverá alcançar 83% do Lajida da companhia. O motivo seria que o orçamento consolidado da Cemig irá ultrapassar a meta estipulada pelo estatuto.

O plano de investimentos da estatal mineira é de R$ 3,137 bilhões em 2010. O montante é 14,9% superior aos aportes realizados no ano passado, quando totalizaram R$ 2,729 bilhões. Segundo especialistas, a mudança possibilitará a continuidade do processo de aquisições de ativos realizado pela Cemig desde o ano passado.

O diretor de Finanças e Relações com Investidores (RI) da Cemig, Luiz Fernando Rolla, já havia informado que novas aquisições poderão ocorrer neste ano. Conforme ele, ainda há muitas oportunidades no Brasil e no exterior que poderão ser aproveitadas pela empresa.

A Cemig vem realizando uma série de aquisições, seja o controle ou participações em empresas do setor, em virtude do objetivo de ampliar a sua participação no mercado.

A meta da Cemig é alcançar 20% de participação nos mercados em que atua. Atualmente, a companhia responde por 12% do mercado de distribuição, sendo líder no segmento. Além disso, possui 10% do mercado de geração e transmissão.

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