Publicada em 02-09-2010
Empresas recuperam mercado.
LEONARDO FRANCIA.
| ALISSON J. SILVA |
| As principais indústrias da região abriram vagas no primeiro semestre |
O aquecimento da atividade industrial em 2010 acelerou no primeiro semestre as contratações das indústrias instaladas no Sul de Minas, que, de forma geral, já ultrapassam os níveis registrados no mesmo intervalo e 2009. De janeiro a junho daquele ano a crise financeira mundial gerou fortes perdas para o setor, que demitiu em massa para reduzir custos e controlar despesas. O atual cenário, segundo os representantes dos sindicatos dos metalúrgicos de municípios da região, é reverso.
Em Pouso Alegre, por exemplo, importante polo de autopeças do Estado, o nível de emprego até junho foi 30% superior ao mesmo período do exercício passado, conforme revelou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre, Carlos Roberto Nunes de Oliveira.
As contratações homologadas, puxadas pelas fabricantes de peças para veículos, somaram cerca de 700 postos de trabalho. Somente a Usiminas Automotiva (antiga Usiparts), controlada pela Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas), que possui, hoje, um efetivo de aproximadamente 1,4 mil trabalhadores, deve contratar mais 400 pessoas até o final deste ano. "O setor de autopeças está contratando, especialmente, a Usiminas Automotiva", disse o diretor.
Já o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Lavras, Ednei Venâncio Raimundo, afirmou que enquanto ao longo do ano passado foram registradas de 600 a 700 demissões pela indústria em função da crise, do começo de 2010 até agora, o setor já contratou 1,2 mil trabalhadores.
A exemplo do que acontece em Pouso Alegre, os fabricantes de autopeças de Lavras também estão puxando o avanço do nível de emprego na cidade. Entre as indústrias que estão contratando está a Magneti Marelli Sistemas Automotivos, a Ciclop Componentes Automotivos, a TRW Automotive e a Magneti Marelli Cofap.
Helibras - Em Itajubá, conforme explicou sem revelar números, o coordenador do Sindicato dos Metalúrgicos, José Carlos dos Santos, as contratações realizadas ao longo deste ano estão próximas de cobrir as demissões homologadas durante 2009. No entanto, Santos projeta que a atividade industrial chegue ao final deste exercício com o nível de emprego superior ao apurado no ano passado.
O coordenador do sindicato ressaltou, ainda, que a Helicópteros do Brasil S/A (Helibras) contribuiu com importante parcela das contratações efetivadas neste ano em virtude da expansão da unidade fabril, que visa expandir a capacidade instalada para atender dois contratos com as Forças Armadas Brasileira, um de R$ 375,8 milhões e outro de 1,8 bilhão de euros.
Para atender a demanda, a Helibras precisa ampliar a capacidade de produção e investir em tecnologia. Os aportes da empresa somam R$ 420 milhões na construção, que adicionará 11 mil metros quadrados à atual unidade. A estrutura hoje é de 14 mil metros quadrados.
O contrato mais recente (de R$ 375,8 milhões) se refere à manutenção e modernização de 34 aeronaves do Exército Brasileiro durante dez anos. Está prevista a instalação de novos motores, com maior potência. As aeronaves ainda receberão equipamentos de navegação e radiocomunicação. As 34 unidades foram adquiridas pelo Exército em 1988, quando foi implantada a Aviação do Exército Brasileiro e criado o 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté (SP).
O outro contrato é resultado de um acordo entre os governos do Brasil e da França para o fornecimento de 50 aeronaves para as Forças Armadas. O negócio é da ordem de 1,8 bilhão de euros. A primeira parcela, no valor de R$ 250 milhões, já foi liberada pelo governo federal.
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